Curiosidades

Essa misteriosa cratera gigante no Ártico intriga cientistas

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O Ártico, ao contrário da Antártida, é um oceano cercado por continentes. Uma dessas regiões é Nunavik, localizada no extremo norte de Quebec, no Canadá. Essa região abrange o terço superior da província canadense da qual faz parte a península de Ungava, esta região é desconhecida pela maioria das pessoas. No entanto, nem sempre foi assim.

Em 1950, essa região estava nos jornais do mundo todo e chegou até a ser considerada a oitava maravilha do mundo. Isso aconteceu não por causa da sua natureza selvagem ou por alguma estrutura feita pelo homem, mas sim por conta da Cratera Pingualuit.

“O nome é inuktitut para as manchas ou espinhas na pele causadas pelo clima muito frio”, explicou Isabelle Dubois, coordenadora de projeto da Nunavik Tourism, que anteriormente só tinha visitado a cratera no inverno, quando a paisagem estava coberta de neve.

“A tundra aqui é marcada por fendas, fissuras e depressões cheias de pequenos bolsões de água. No entanto, em meio às inúmeras reentrâncias, a cratera de mesmo nome se destaca significativamente”, continuou.

Cratera

G1

O destaque da cratera acontece por conta do seu diâmetro de aproximadamente 3,5 quilômetros e uma circunferência maior que 10 quilômetros. Além do tamanho, sua simetria também tem um destaque.

A cratera é quase perfeitamente circular e cheia de água. Ela parece quase um espelho no chão.

Os pesquisadores sobrevoaram a cratera e pousaram a alguns quilômetros de sua borda. Eles ficaram no acampamento Manarsulik, um conglomerado de cinco cabanas com energia solar. Esse é o acampamento oficial de qualquer pessoa que vá ao Parque Nacional Pingualuit, um dos parques nacionais mais remotos do país.

No acampamento, Pierre Philie, um geógrafo cultural francês com forte interesse em antropologia, morador de Kangiqsujuaq, que é o assentamento mais ao norte de Nunavik, explicou para os pesquisadores um pouco mais sobre a cratera.

“Ela foi descoberta pela primeira vez por alguém do mundo ocidental em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, quando pilotos de caça a avistaram e a usaram como auxílio à navegação. Mas eles só compartilharam com o resto do mundo quando a guerra acabou”, disse ele.

Intrigante

G1

Quando a cratera se tornou de conhecimento público, em 1950, o garimpeiro de Ontário chamado Fred W Chubb ficou fascinado por ela. O homem se convenceu de que a cratera foi causada por um vulcão, o que provavelmente significaria que havia diamantes dentro dela.

Na época, Fred pediu para o então diretor do Museu de Ontário, Dr Meen, para investigar a cratera. A permissão foi concedida, mas a teoria do vulcão acabou não sendo verdadeira e sendo descartada.

“Agora sabemos, sem sombra de dúvida, que é uma cratera de meteoro”, afirmou Philie.

“O impacto aconteceu há 1,4 milhão de anos. Olhando para a largura e profundidade da cratera, cerca de 400 metros, seu impacto é estimado em 8,5 mil vezes mais forte do que a bomba atômica lançada em Hiroshima”, comentou o geógrafo.

“É claro que os inuits sabiam da cratera antes dos ocidentais chegarem para procurar diamantes. Eles a chamavam de Olho de Cristal de Nunavik”, disse Markusie Qisiiq, diretor e guia do Parque Pingualuit.

Observações

Secret world

Conforme os pesquisadores iam percorrendo o entorno da cratera, Philie comentava fatos sobre a clareza da água em seu interior. Ela é alimentada apenas pela chuva e considerada a segunda água mais pura do mundo. O geógrafo falou também a respeito dos peixes que vivem dentro dela e que os cientistas ainda não conseguiram chegar a uma conclusão de como eles chegaram lá. Além de falar também sobre as evidência que mostram que, da mesma forma que os inuits, outro povo também andou pela região pelo menos mil anos antes deles.

“A paisagem é um livro vivo. Há muita coisa que podemos aprender se dedicarmos um tempo para lê-lo”, concluiu Philie.

A cratera é tão intrigante que, em 2007, uma equipe de pesquisadores da Laval University, em Quebec, liderada pelo professor Reinhard Pienitz, fez uma expedição até ela para coletar amostras debaixo d’água.

Com isso, Pienitz descreveu a cratera como uma “cápsula do tempo científica” que, por mais que os cientistas continuem aprendendo sobre ela, tal local pode revelar pistas sobre episódios passados ​​de mudanças climáticas e como os ecossistemas se adaptaram sob pressão.

Fonte: G1

Imagens: G1, Secret world

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