Eventos de extinção em massa podem transformar água doce em uma sopa tóxica
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Eventos de extinção em massa podem transformar água doce em uma sopa tóxica

Nosso planeta já passou por cinco extinções em massa em sua história. E parece que estamos caminhando para a sexta. Todas essas extinções destruíram a maior parte da vida no mundo todo. Além disso, os especialistas acreditam que todos essas ocorrências foram seguidas de uma proliferação de micróbios nos rios e lagos.

Por exemplo, depois do evento do extermínio do Permiano, que aconteceu há 252 milhões de anos, parece que ocorreu uma explosão de proliferação de bactérias  algas. E esse aumento durou centenas de milhares de anos.

Segundo o registro geológico na Austrália, os impactos que aconteceram por conta da mudança climática e do desmatamento causado pelo clima nesse período de extinção foram os responsáveis pelo surgimento de uma sopa tóxica na Bacia de Sydney. Ela era um dos ecossistemas de água doce antigos mais conhecidos.

Perigo

Os pesquisadores alertam o quão perigoso é isso. Até porque a atividade humana está nos levando para um evento de extinção em massa parecido nos tempos atuais.

“Estamos vendo mais e mais proliferações de algas tóxicas em lagos e em ambientes marinhos rasos, relacionadas a aumentos de temperatura e mudanças nas comunidades de plantas que estão levando a crescimentos nas contribuições de nutrientes para ambientes de água doce. Então, há muitos paralelos com os dias de hoje. O vulcanismo era uma fonte de CO2 no passado, mas sabemos que a taxa de entrada de CO2 observada naquela época era semelhante à taxa de elevação de CO2 que estamos vendo hoje por causa dos efeitos antropogênicos”, disse a geóloga Tracy Frank, da Universidade de Connecticut.

Embora as algas e bactérias sejam partes normais de um ambiente saudável de água doce, às vezes, elas podem crescer de forma descontrolada e acabar esgotando o oxigênio da água e criando zonas mortas.

É isso que tende a acontecer com o aquecimento global, o desmatamento e a entrada de nutrientes do solo nos cursos da água. Isso pode alimentar os micróbios. Todos esses fatores são vistos atualmente. Por isso que é provável que estamos vendo nas proliferações tóxicas. E olhando o passado, essa é uma situação bem preocupante.

Estudo

Através dos dados de solo, fósseis e geoquímicos da Bacia de Sydney, os pesquisadores acreditam que a disseminação de micróbios na extinção do Permiano “foi um sintoma do colapso do ecossistema continental e uma causa de sua recuperação retardada”.

Outros registros no mundo todo mostraram que a multiplicação de micróbios é comum depois de eventos de extinção. Até porque são impulsionados pelo aquecimento. A única exceção disso parece que foi o asteroide que causou o desaparecimento em massa dos dinossauros.

Mais preocupante é que os estudiosos estão percebendo semelhanças entre a extinção do Permiano e os tempos atuais. Como por exemplo, o aumento dos incêndios florestais e a desestabilização do solo.

“O outro grande paralelo é que o aumento da temperatura no final do Permiano coincidiu com elevações massivas nos incêndios florestais. Uma das coisas que destruíram ecossistemas inteiros foi o fogo, e estamos vendo isso agora em lugares como a Califórnia. É de se perguntar quais são as consequências de eventos como esse a longo prazo, à medida que estão se tornando cada vez mais comuns”, concluiu o geólogo Chris Fielding, também da Universidade de Connecticut.

Fonte: https://www.sciencealert.com/mass-extinction-events-can-turn-freshwater-into-toxic-soup-and-that-s-bad-news-for-today