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Experiência com cetamina via oral diminui pensamentos suicidas

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morte não é um assunto do qual as pessoas gostam de falar, ainda mais quando o tema é suicídio. Trata-se de um evento trágico e carrega consigo vários debates com relação à pessoa tirar a própria vida.

suicídio afeta não só a vida da pessoa que tiram a vida, mas também de toda a família e amigos ao seu redor. E o que pode ser de se espantar é que os casos que são bem sucedidos são baixos. É estimado é que são 25 tentativas até que a pessoa consiga acabar com sua vida.

Esse é uma grande ameaça à saúde pública. Nos últimos anos, as taxas de suicídio pioraram muito nos EUA. E de forma trágica é um fenômeno que está se acelerando até entre crianças.

Contudo, existem motivos para se ter esperança. E um deles vem de um lado bem improvável. A cetamina, que é um anestésico descoberto na década de 1950, para muitos pode ser apenas um tranquilizante para cavalos ou uma droga ilícita para festas. Entretanto, esse poderoso produto químico pode fazer muito mais.

Estudo

De acordo com um novo estudo, as doses orais de cetamina podem diminuir de forma drástica a ideia de suicídio nos pacientes que tem pensamentos suicidas crônicos. Essa foi a última descoberta de uma série de experimentos que forçaram os pesquisadores a reavaliar a droga.

A reputação das cetaminas teve uma remodelação nos últimos anos graças a essas novas descobertas científicas sobre os efeitos positivos que ela pode ter nas  pessoas com problemas de saúde mental.

Segundo várias pesquisas,  a cetamina parece conseguir tratar a depressão grave e outras condições. E enquanto os mecanismos por trás desses efeitos ainda estão sendo estudados, o FDA aprovou um spray nasal à base de cetamina para depressão, em 2019.

Os pesquisadores também descobriram que essa substância também diminui de forma significativa e rápida a ideia suicida nas pessoas que tem esses pensamentos. Coisa que, muitas vezes, os antidepressivos tradicionais não conseguem fazer, ou então levam semanas para fazer efeito.

Cetamina

Contudo, os pesquisadores ainda não sabem muito a respeito da eficácia da cetamina na diminuição de pensamentos suicidas.

“Uma forma oral de cetamina que pode ser administrada com facilidade e potencialmente com mais frequência. É uma opção atraente para o tratamento de ideação suicida. No entanto, poucos estudos exploraram a viabilidade da cetamina oral em baixas doses no tratamento do suicídio”, escreveram os pesquisadores da Universidade da Costa do Sol (USC), na Austrália, em seu estudo.

Para tentar preencher essa lacuna de conhecimento, uma equipe liderada pelo psiquiatra Adem Can, da USC, fez um estudo com 32 pacientes adultos que receberam doses suaves subanestésicas de cetamina oral no período de seis semanas. A dose foi dada misturada com suco de laranja e aumentada ao longo do experimento.

Todos os participantes tinham o que é conhecido como suicídio crônico, que é um nível de pensamento suicida que permanece na mente por um período de tempo. Mas que não chega a um risco agudo ou extremo.

“Em média, os pacientes experimentaram uma redução significativa na ideação suicida, de um nível alto antes do ensaio para abaixo do limiar clínico na sexta semana do ensaio. Na medicina, essa taxa de resposta é significativa, especialmente porque foi experimentada por pacientes com suicídio crônico, que pode ser difícil de tratar”, ressaltou Can.

Observações

Por mais que os pesquisadores saibam que ainda é preciso aprender muito sobre o impacto que a cetamina tem no comportamento suicida, as descobertas mostram novas tendências importantes.

“Até onde sabemos, o presente estudo é o primeiro a explorar a viabilidade, segurança e tolerabilidade da cetamina oral em casos de suicídio crônico em pacientes que apresentaram uma variedade de condições psiquiátricas, incluindo transtornos de humor, ansiedade e personalidade. No geral, a cetamina oral levou a melhorias significativas de curto prazo e prolongadas na ideação suicida, sintomas afetivos, bem-estar e funcionamento sócio-ocupacional nesta amostra de adultos com histórico de suicídio crônico e transtorno depressivo maior”, concluíram os autores.

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