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Grande Mancha de Lixo do Pacífico virou habitat de plantas e animais

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Com o passar dos anos, o planeta vem sofrendo com o aumento da poluição e tanto os animais, quanto os humanos, vêm enfrentando as consequências. Assim, as estatísticas da poluição são alarmantes. Um dos lugares afetados é o chamado Grande Mancha de Lixo do Pacífico.

Também conhecido como Giro Subtropical do Pacífico Norte, ele é o lar de uma névoa difusa de lixo espalhada por 1,6 milhões de quilômetros quadrados. Em suma, estima-se que nessa região existam 79 toneladas métricas de lixo plástico.

Como resultado disso, tem-se um panorama de claro desastre ambiental. Várias e diferentes ideias surgiram para lidar com ele. No entanto, agora, os cientista começaram a perceber que uma série de espécies costeiras, que geralmente não vão para o oceano aberto, estão começando a colonizar esse Lixo do Pacífico.

Grande Mancha de Lixo do Pacífico

https://www.nationalgeographic.org/encyclopedia/great-pacific-garbage-patch/

No novo estudo, o autor principal e ecologista marinho Linsey Haram, ex-bolsista de pós-doutorado no Smithsonian Environmental Research Center (SERC), fez um balanço de todas as espécies marinhas que fizeram da Grande Mancha de Lixo do Pacífico sua nova casa.

Como resultado, ele e sua equipe viram que mudanças na composição das espécies de invertebrados oceânicos está acontecendo. Isso está gerando uma nova diversidade de espécies costeiras que conseguem ocupar essas “jangadas” de plástico.

Dentre essas espécies estão as anêmonas, hidroides e anfípodes parecidos aos camarões. Os pesquisadores chamam essas novas comunidades de neopelágicas. O nome vem de ‘neo’, que significa ‘novo’, e ‘pelágico’ se referindo ao oceano aberto, em oposição ao litoral.

Normalmente, as espécies de invertebrados oceânicos eram, em sua maioria, neustons. Eles são pequenos organismos que se fixam tanto na parte superior como na inferior da película da superfície do oceano. Além desse lugar, eles também podem ser vistos em troncos flutuantes, em algas marinhas e também em outros animais marinhos.

Espécies

https://www.forbes.com/sites/scottsnowden/2019/05/30/300-mile-swim-through-the-great-pacific-garbage-patch-will-collect-data-on-plastic-pollution/?sh=245c9486489f

A chegada desses novos organismos costeiros tem o potencial de mexer com a estrutura desse ecossistema em específico, que já é delicado e carente de recursos.

“As espécies costeiras estão competindo diretamente com essas vigas oceânicas. Eles estão competindo por espaço. Eles estão competindo por recursos. E essas interações são mal compreendidas”, disse Haram.

Os cientistas já entenderam há algum tempo qual é o papel dessas “jangadas” na dispersão das espécies costeiras e continentais nas grandes distâncias oceânicas. Nesse ínterim, acredita-se que elas sejam responsáveis pela colonização de iguanas marinhas nas ilhas Galápagos, que tinham seus ancestrais originários da América do Sul.

Contudo, essas jangadas de sementes, árvores, algas marinhas e pedra-pomes tinham seu fim justamente por sua natureza biodegradável. Com o tempo, a ação humana com o plástico em grande escala fizeram com que essas novas jangadas se transformassem em uma oportunidade permanente para as espécies costeiras transitarem nas bacias oceânicas. Além disso, os plásticos dão a elas um habitat a longo prazo, suficiente para que elas colonizem o oceano aberto.

Ecossistema

https://www.usatoday.com/story/news/nation/2019/10/03/great-pacific-garbage-patch-cleanup-underway/3854722002/

A existência dessas espécies costeiras no oceano aberto representa uma mudança no paradigma de entendimento da biogeografia marinha. Por exemplo, normalmente, as extensões de água são vistas como uma barreira física e biológica para a dispersão de espécies.

“Esta situação já não parece ser o caso, já que agora existe habitat adequado no oceano aberto e organismos costeiros podem sobreviver no mar por anos e se reproduzir, levando a comunidades costeiras autossustentáveis ​​em alto mar”, ressaltaram os pesquisadores.

Assim, a existência de comunidades marinhas costeiras autossustentáveis ​​no oceano aberto poderia dar a essas espécies, e a outras espécies marinhas, um ambiente de trampolim antes de irem para novos habitats costeiros.

“Essas outras costas não são apenas centros urbanos. Essa oportunidade se estende a áreas mais remotas, áreas protegidas, ilhas havaianas, parques nacionais, áreas marinhas protegidas”, disse o cientista sênior do SERC Greg Ruiz, que chefia o laboratório de invasão marinha.

Observações

http://nzappa.org/the-pacific-ocean-garbage-patch-is-the-worst-its-ever-been/

Embora se saiba algumas coisas, Haram pontuou que várias perguntas ainda ficaram sem respostas. Por conta disso, mais estudos são necessários para que se aprenda mais a respeito desses ecossistemas que estão se formando no Lixo do Pacífico.

“Precisamos saber até que ponto as comunidades neopelágicas se auto-sustentam ou exigem a entrada contínua de jangadas, propágulos e fluxo gênico das costas”, ressaltam os pesquisadores.

Mesmo assim, uma coisa se sabe com certeza. Conforme a demanda humana e a produção de plástico aumentar, estimada para 25 bilhões de toneladas métricas até 2050, aparecerão várias oportunidades para as espécies costeiras na Grande Mancha de Lixo do Pacífico.

Fonte: Science Alert

Imagens: National Geographic, Forbes, USA Today, Nzappa

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