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Kawashima, a princesa chinesa que se tornou espiã

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Yoshiko Kawashima, uma princesa chinesa que ganhou destaque no século 20, foi enviada ao Japão assim que Dinastia Qing perdeu o poder. Assim que se instalou em terras japonesas, Kawashima tornou-se uma espiã disfarçada, para restaurar o nome e o legado de sua família. Sua extravagância e sua beleza a tornaram querida pelos meios midiáticos do país e seus feitos cativaram os corações de uma legião de sonhadores.

Em meio a sua jornada, a princesa se consolidou como heroína para muitos japoneses. Em contrapartida, para os chineses, era vista como inimiga. A popularidade de Kawashima só perdeu força com a chegada da Segunda Guerra Mundial e o fim do massivo e catastrófico evento exauriu todas as lutas que a princesa havia abraçado.

A chegada de Yoshiko Kawashima em um império agonizante

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Os Qing, guerreiros nômades, conquistaram o poder no século 17, logo após derrubarem a dinastia Ming. Por 200 anos, imperadores da Manchúria reinaram sobre uma nação que se julgava próspera. No entanto, quando Yoshiko Kawashima nasceu, por volta de 1907 – era uma entre os 38 filhos do príncipe manchu Shanqi, um forte apreciador da dinastia Qing -, todo o controle estabelecido pelos manchus sofria fortes ataques.

Em 1911, a dinastia Qing se viu diante do inesperado: uma revolução liderada pelo reformador nacionalista Sun Yat-sen. A revolução, organizada, acabou suprimindo o poder dos Qing e, com isso, a possibilidade de instaurar um novo governo, a República da China. Com a mudança de poder, Kawashima teve que morar com uma amiga japonesa de seu pai, Naniwa Kawashima. À data, a princesa tinha cerca de oito anos.

Uma princesa chinesa travestida de Joana d’Arc

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O exílio, estado de estar longe da própria casa, deixou claro que Kawashima não era nada convencional. A princesa, como atividade, passou a cavalgar, adotou o uso de roupas masculinas e cortou o cabelo, deixando-o, assim, curto – uma decisão chocante para a educada sociedade japonesa. “Decidi deixar de ser mulher para sempre”, disse Kawashima, sugerindo, sempre que podia, o desejo de incorporar um “terceiro gênero”.

Muitos tomavam as decisões da princesa como rebeldia. No entanto, registros apontam que a princesa havia adotado certas atitudes para inibir os pretendentes que seu pai adotivo tentava manter por perto. Independente do motivo, o fato é que Kawashima não queria ser uma simples mulher destinada a cuidar da casa e do marido. A princesa, conforme expôs uma reportagem do portal de notícias All That Is Interesting, queria ser como Joana d’Arc – ou seja, uma guerreira.

A famosa história da heroína francesa sempre inspirou Kawashima, que, quando criança, na escola, dizia aos seus colegas: “Se eu tivesse três mil soldados, a China seria minha”. Mesmo desejando estar nos campos de batalhas e espantando ocasionamente os pretendentes, a princesa, no final da adolescência, descobriu o sexo, o que a proporcionou série de casos amorosos.

A escandalosa imagem que alimentava levou Naniwa a tentar organizar um casamento para a prima. O pretendente era o príncipe mongol Ganjuurjab, filho de um líder rebelde que apoiava o Príncipe Shanqi. Kawashima, no entanto, recusou-se e, sem pensar duas vezes, buscou refúgio na vida noturna de Tóquio (antes de seguir para Xangai). Em 1931, a jovem rebelde – de apenas 24 anos – estava longe da família, sem dinheiro e perspectivas, vagando entre salões de dança, bares e cassinos.

Sem emprego, a princesa se viu diante da obrigação de garantir o próprio sustento. Foi exatamente neste momento que Kawashima recebeu um telefonema do exército japonês Kwantung.

O caminho para se tornar uma espiã

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Na época em que Kawashima recebeu o inesperado telefone, o Exército Kwantung do Japão visava conquistar a Manchúria. Para os oficiais que estavam no poder, a região, que estava ao lado da Coréia, era propriedade legítima do Império Japonês. Para recuperar o território, os oficiais japoneses explodiram parte dos trilhos de uma ferrovia que passava pela cidade de Shenyang.

Ao assumirem o poder na Manchúria, os oficiais japoneses contataram Kawashima. O exército visava a princesa por dois motivos: seu espírito aventureiro e sua habilidade de se disfarçar. Esses dois fatores a tornavam uma recruta perfeita para a inteligência militar japonesa. Bastou apenas alguns minutos ao telefone para que Kawashima aceitasse o convite.

A primeira tarefa da princesa foi convencer o deposto imperador Qing Puyi a se tornar o governante de Manchukuo – o que fez com bastante êxito. Com isso, Kawashima restaurou a dinastia Qing e, consequentemente, conquistou um lugar de poder.

Manchukuo

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De acordo com Ryukichi Tanaka, um oficial japonês com quem Kawashima teve um caso, a princesa, após instaurar a dinastia Qing, incitou violentos distúrbios em Xangai. “No inverno de 1932, Kawashima viajou pela cidade pagando aos trabalhadores para organizar motins e brigas violentas, dando às tropas japonesas mais uma desculpa para fortalecer sua posição na China”, afirmou Tanaka.

Nesse ínterim, a princesa também liderou um exército de soldados de cavalaria irregular para suprimir os combatentes da resistência chinesa. A liderança contínua ganhou fama e à medida que Kawashima se firmava tanto como uma princesa chinesa quanto uma heroína japonesa muitos passaram não só a respeitarem como também a idolatrarem.

O fim

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Em 1940, os militares japoneses começaram a perceber o risco em que haviam colocando Kawashima no poder. Sua figura já não era mais útil como espiã. Por conta de inúmeros fatores, a princesa acabou sendo presa.

Em 1941, Kawashima se viu à deriva de uma situação sem volta. Quando conquistou a liberdade, a princesa retornou a Pequim – que já havia sido ocupada pelos japoneses -, onde permaneceu até o final da Segunda Guerra Mundial.

Em agosto de 1945, as forças soviéticas invadiram Manchukuo, capturaram o emperador Puyi e colocaram fim ao regime japonês. Em 10 de outubro de 1945, as tropas chinesas recapturaram Pequim. No dia seguinte, as autoridades que estavam no poder prenderam, mais uma vez, Kawashima.

Acusada de traição, Kawashima foi a julgamento – o qual foi amplamente divulgado pela mídia. A princesa foi condenada a pena de morte. Perdeu a vida com uma bala na nuca.

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