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Mary Gartside, a mulher que revolucionou a Teoria das Cores

Mary Gartside, a mulher que revolucionou a Teoria das Cores
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Teoria das cores é a forma como o cérebro interpreta os sinais nervosos dos olhos quando em contato com a luz. Em suma, é a maneira como a física explica nossa percepção dos diversos tons existentes ao nosso redor. Embora seja comumente atribuída a Goethe, essa descoberta pode ter ocorrido um tempo antes, pela inglesa Mary Gartside.

A protagonista dessa narrativa encoberta viveu no século 19 e trabalhou como professora de pintura. Além de desafiar muitos padrões estabelecidos na época, Mary Gartside realizou outro grande feito: publicou um livro sobre a teoria das cores. Intitulado “Ensaio sobre luz e sombra, sobre cores e sobre composição em geral”, o material revela evidências de uma genialidade que deveria estar nos registros da história.

O livro é chamado de “guia” pela autora que o utilizava em suas aulas de pintura para mulheres. Contudo, apesar da modéstia de Mary Gartside, o estudo apresenta imagens diferentes de quaisquer outras produções anteriores. “Estes experimentos evanescentes mostram cada tonalidade em vários graus de saturação e mesclando-se de forma abstrata com outros”, explica Alexandra Loske, especialista em história da arte.

“O objetivo de Gartside era ilustrar as harmonias e tons contrastantes das cores primárias e secundárias de uma maneira mais orgânica, e talvez menos cientificamente distante do que a roda de cores esquematizada de seus famosos antepassados do sexo masculino nesta área”, complementa Loske.

Portanto, o que para alguns pode parecer apenas um conjunto de imagens abstratas, revela a genialidade de Mary Gartside. “Não há outro exemplo de representação de sistemas de cores que seja tão inventivo e radical quanto as manchas de cores de Gartside”, reafirma Loske.

As mulheres na história da arte

Alexandra Loske dedica-se a ressignificar a história da arte, atribuindo à escritoras e artistas mulheres o crédito que lhes foi negado. Por exemplo, assim como Mary Gartside, há diversas figuras que perderam seu protagonismo por conta do silenciamento cultural. “Se alguém for capaz de encontrar outra pessoa antes, ficaria muito feliz em saber”, disse Loske à BBC Culture quando lhe perguntaram sobre o pioneirismo de Gartside na teoria das cores. Segundo a especialista, “ela é a primeira, sem dúvida, no mundo ocidental”.

Quanto à biografia de Mary Gartside, infelizmente, o pouco que se sabe pode ser resumido em poucas palavras. Nascida em 1755, provavelmente em Manchester, no Reino Unido – embora isso não seja uma certeza – ela trabalhou ensinando mulheres a pintar aquarela em Londres. Como resultado disso, a artista acabou conseguindo exibir sua própria obra algumas vezes, em uma delas, na própria Royal Academy.

As informações sobre Gartside são tão escassas que até o lockdown imposto pela pandemia de covid-19, nem sequer havia um ano exato para sua morte. Contudo, com a ajuda de colegas, Loske conseguiu determiná-lo: 1819.

Newton, Gartside e Goethe

Fonte: P55.ART

Em 1810, Johann Wolfgang von Goethe publicou um tratado intitulado “Teoria das Cores”. Nesse ensaio, o poeta e crítico alemão apresenta alguns equívocos cometidos por Isaac Newton em sua compreensão sobre as cores no mundo. Porém, em paralelo com Goethe, Gartside também trabalhava para recalibrar o conceito de espectro das cores que compõem a luz branca.

“A teoria de Newton tinha a ver com cores imateriais, com dividir o arco-íris e com luzes coloridas. Alguém teve que adaptar todo este conhecimento fantástico à cor material, e ela faz isso lindamente”, pontua Loske.

Ao passo que Newton conseguiu entregar uma ótima definição cromática sob uma perspectiva física, artisticamente, as cores ganharam novos conceitos sob a visão de Mary Gartside. Além da sensibilidade, a artista conseguiu apresentar a teoria de uma forma mais concreta, palpável e prática.

Dito isso, Loske segue trabalhando para dar a Mary Gartside o reconhecimento merecido e colocar seu nome onde deve estar: na história.

Fonte: G1

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