O que é pior: dormir pouco ou não dormir nada?

POR Ana Luiza Andrade    EM Ciência e Tecnologia      17/08/17 às 15h18

Dormir é um dos maiores prazeres do ser humano. Nada como uma boa noite de sono para acordarmos renovados e recarregados de energia para mais um dia de trabalho. Há pessoas que não precisam de muito esforço para dormir, basta virarem para o lado para deitarem-se confortavelmente nos braços do sono profundo, que nem uma bomba seria capaz de despertá-los. Mas há pessoas que sofrem com insônia. Esse mal pode ser definido pela dificuldade em pegar no sono, mas também quando acordamos muitas vezes durante a noite.

Estima-se que 40% da população brasileira sofrem ou já sofreram com esse tipo de problema.

As causas da insônia são variadas, podendo ser movidas por motivos físicos, psicológicos e até hereditários. Estresse, ingestão de álcool à noite, tabagismo, depressão, histórico de insônia na família, idade avançada e até a menopausa podem ser os princípios desencadeadores do distúrbio.

É comum que as pessoas compensem uma noite ruim de sono, com sonecas extras durante o dia. No imaginário popular, horas divididas de sono contabilizam a quantidade total que devemos descansar durante um dia.

Mas será que o resultado é o mesmo nessa situação? Afinal, o que é pior: não dormir nada ou dormir pouco?

Para responder a essa questão, o Professor Sadeh, liderou um estudo produzido pela Universidade de Ciências Psicológicas de Tel Aviv, em Israel. A pesquisa foi publicada pelo jornal médico Sleep.

O professor e sua equipe conduziram o estudo com estudantes que se voluntariaram para o teste. Acostumados a dormirem 8 horas por dia, o experimento testou os alunos a enfrentarem uma noite de sono que seria interrompida no mínimo quatro vezes, por ligações telefônicas.

Antes de voltarem a dormir eles ainda deviam completar uma tarefa de 10 a 15 minutos. Para então tentarem pegar no sono outra vez.

O sono deles foram monitorados de suas próprias casas através de um relógio de pulso que identificava quando eles estavam dormindo e quando estavam acordados.

No dia seguinte, os estudantes passaram por um novo teste para verificar a atenção e o estado de alerta depois da péssima noite de sono. Além disso, eles também preencheram um questionário sobre a variação de humor depois de serem interrompidos tantas vezes pela noite.

Como é de se esperar o experimento mostrou uma conexão direta entre a insônia e a falta de atenção e o mal humor. Isso porque eles foram submetidos ao teste por uma noite apenas.

"Nosso estudo mostra o impacto de apenas uma noite mal dormida,", explica o professor, "mas sabemos que esses efeitos são acumulativos [...]".

Sadeh ainda esclarece que mesmo quando as interrupções do sono são pequenas, de dez a quinze minutos, isso acaba com o ritmo natural do sono.

As pesquisas do professor demonstram que o sono interrompido é equivalente a não mais que quatro horas consecutivas de sono. E como os sintomas se acumulam ao longo do tempo, dormir pouco é tão ruim quanto não dormir nada.

"Nosso estudo é o primeiro a demonstrar serialmente a cognição deletéria e os seus efeitos emocionais", esclarece o pesquisador. "A pesquisa do sono tem focado nos últimos 50 anos apenas na privação do sono, e praticamente ignorado o impacto das interrupções noturnas, que é um fenômeno dominante entre as pessoas."

Mas o professor acredita que seu estudo pode chamar a atenção da comunidade científica e das pessoas para o problema.

"Eu espero que o nosso estudo traga mais a atenção dos cientistas e das clínicas, que devem reconhecer o preço que os indivíduos pagam por suportar frequentemente noites de sono interrompidas."

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Ana Luiza Andrade
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL

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