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O que não dizer quando alguém compartilha um problema que ocasionou um trauma

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Muitos de nós já vivenciamos situações difíceis que acabaram ocasionando traumas. Esses traumas crescem em nós sigilosamente e são capazes de acarretar inúmeros problemas. Por isso, poucos são aqueles que reúnem coragem suficiente para expô-los. É preciso também força para colocar em pauta o que causa tamanha perturbação.

Independente do motivo, seja um abuso físico ou emocional, uma agressão sexual, um acidente ou uma crise de saúde ou fnanceira, quando alguém decidir compartilhar sua dor, é preciso saber escutar. É preciso, nesse ínterim, saber também o que dizer, afinal, ao tentar demonstrar apoio podemos cair em uma armadilha e dizer algo insensível.

Em entrevista ao portal de notícias HuffPost, Tovah Means, terapeuta de traumas da Watch Hill Therapy, em Chicago, Estados Unidos, revelou que muitas pessoas nunca contam a ninguém o que lhes aconteceu porque têm medo de se sentirem julgados ou culpados. “Sua resposta tem o poder de mostrar a essas pessoas que elas têm o direito de se abrir com quem quiser”, disse Means ao HuffPost. “As pessoas não precisam de conselhos, soluções, comparações ou comentários banais. Eles precisam de atenção, empatia e apoio”.

Como são poucos os que decidem revelar a pessoas mais próximas o motivo que ocasionou um trauma, o portal de notícias HuffPost pediu a especialistas que compartilhassem as frases que devem ser evitadas quando alguém decide expor os seus problemas mais íntimos. Confira, agora, quais são elas.

1 – “Poderia ter sido pior”

Quando dizemos “Poderia ter sido pior”, inconscientemente, sugerimos que a pessoa deve encontrar o “lado bom” da situação que ocasionou o trauma. Conforme revelou a reportagem publicada pelo portal HuffPost, essas palavras em específico são prejudiciais, pois minimizam o sofrimento que uma pessoa luta para suportar.

“As pessoas que compartilham seus traumas ou preocupações, muitas vezes, esperam que sua dor seja reconhecida”, disse Abigail Makepeace, terapeuta familiar e matrimonial especializada em trauma. “Dizer a alguém que ‘poderia ter sido pior’ não apenas nega a presença da dor, como também desqualifica a tristeza e, consequentemente, o trauma e acaba alimentando também um sentimento de vergonha”.

“Com essas palavras, você, involuntariamente, insinua que a pessoa deve ser grata pela maneira como as coisas aconteceram”.

2 – “Bem, isso aconteceu com você porque você…”

O específico comentário dá a ideia de que o trauma foi ocasionado pela vítima. Em poucas palavras, não devemos, em nenhuma hipótese, sugerir que o evento traumático ocorreu porque a pessoa deveria ter agido de forma diferente, afinal, nem sempre podemos evitar que coisas ruins aconteçam.

“Vivemos em uma sociedade que nos ensina que tudo deve estar sob nosso controle, mas isso não é verdade”, disse Tracy Vadakumchery, conselheira de saúde mental, licenciada em Nova York que se especializou em ansiedade e trauma.

“Quando racionalizamos a experiência de um sobrevivente ou procuramos atribuir a culpa a ao mesmo, é como se estivéssemos batendo em um cavalo morto. A experiência deles, provavelmente, já criou a crença distorcida de que é ruim pode ser evitado”.

3 – “A mesma coisa aconteceu comigo ou com alguém que eu conheço”

É compreensível demonstrar empatia pelo problema alheio. No entanto, quando alguém lhe revela um problema, não significa que você precisa revelar o seu. O melhor, aqui, é dar à outra pessoa espaço. Assim, ela se sentirá confortável o suficiente para compartilhar o que sentir vontade.

“Embora querer comparar histórias transmita a ideia de que o outro não está sozinho, o comportamento pode fazer com que a pessoa sinta que não está sendo ouvinda”, explica Vadakumchery. “Quando alguém está lhe contando sua história, resista ao impulso de se envolver”.

Portanto, caso queira compartilhar sua experiência, espera o momento mais apropriado.

4 – “Tudo acontece por uma razão”

O chavão acima tenta amortecer a dor e transparece a ideia de sua função, que deveria ser apenas ouvir, é a de tentar dar uma explicação ao sofrimento. “Dizer que as coisas acontecem por um motivo elimina o fato de que necessariamente haja um real. Veja, por exemplo, um caso de agressão sexual. Ninguém deve ser abusado sexualmente e isso, quando ocorre, não é por um motivo específico”, disse Makepeace.

5 – “Você está recebendo ajuda?”

Sim, a essência da pergunta é positiva, mas embora você pretenda encorajar a pessoa a falar com um profissional, eventualmente acaba dando a impressão de que o mesmo é incapaz de lidar com o problema.

“Muitos não compartilham seu trauma com os outros porque sentem vergonha ou medo e como muitos se preocupam com o que os outros podem pensar, a pessoa que está se abrindo acaba optando por encerrar o assunto quando escuta a pergunta: Você está recebendo ajuda”, explica Vadakumchery. “A mesma pergunta também sinaliza que você não consegue lidar com o que eles estão lhe dizendo”.

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