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Onda de calor: América do Sul pode marcar temperaturas de até 50 graus

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Nesta semana, uma onda de calor intenso atingirá a região central da América do Sul. Isso pode fazer com que cidades na Argentina, Uruguai e Paraguai registrem temperaturas de até 50°C. O fenômeno, provocado por uma massa de ar quente e seca, também chega ao Sul do Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul, que pode marcar até 40ºC.

A cidade de San Antonio Oeste, na Patagônia argentina, registrou 42,8ºC nesta segunda-feira, 10, enquanto a província de Mendoza foi colocada sob alerta vermelho. Já nesta quarta-feira, 12, a cidade de Buenos Aires marcou 40ºC, a temperatura mais alta desde 1995.

Nos próximos dias o valor deve aumentar na Argentina e marcar entre 45ºC e 47ºC, nos locais mais quentes da Argentina. Enquanto os termômetros do Uruguai devem ficar entre 41ºC e 43ºC.

No Brasil, as temperaturas mais altas no Rio Grande do Sul devem ser no oeste do estado, com máximas entre 10ºC e 15ºC maiores para este período do ano.  Devida à onda de calor, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um aviso de perigo para 216 municípios do estado.

As regiões da Serra Gaúcha podem chegar a marcar até 37ºC. em Caxias do Sul. e cerca dos 40ºC nos vales de Farroupilha e Bento Gonçalves. Já em Porto Alegre e região, a temperatura pode ser acima dos 40ºC e os índices de radiação ultravioleta entre 11 e 16. A Defesa Civil do município recomendou que a população se proteja do sol, se hidrate constantemente e evite se exercitar entre 10h e 16h.

Vale lembrar que de acordo com os dados oficiais contabilizados a partir de 1910, a maior temperatura registrada em RS foi de 42,6ºC, nos verões de 1917, em Alegrete, e de 1943, em Jaguarão.

A causa do calor intenso

Reprodução

De acordo com o especialista em climatologia da América do Sul e membro do Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Éder Maier, a onda de calor atual é provocada por uma massa de ar quente e seca que está entre a Argentina e o Brasil. Além disso, a área de alta pressão atmosférica que está atuando sobre o Rio Grande do Sul favorece o evento e inibe a formação de nebulosidade. Isso resulta no aumento da temperatura e na diminuição da umidade do ar.

“A baixa cobertura de nuvens e o tempo seco causam maior eficiência do sistema ambiental em converter a radiação solar em calor”, explica.

Na América do Sul, a forte onda de calor é acompanhada por uma estiagem forte, assim como a seca, que favorece as altas temperaturas e o calor. O climatologista e professor de ciências atmosféricas da USP, Pedro Leite da Silva Dias, acrescenta que a onda de calor também está ligada às fortes chuvas registradas na Bahia e em Minas Gerais nas últimas semanas. Isso porque o bloqueio de alta pressão atmosférica faz com que as chuvas não sejam levadas para o sul, ficando retidas nas regiões nordeste e sudeste do Brasil.

Também há ligação com o fenômeno climático La Niña, que ocorre quando os ventos que sopram sobre o Pacífico levam as águas quentes da superfície para o oeste, com sentido à Indonésia. Essa ação provoca mudanças climáticas em todo o mundo, até mesmo na América do Sul.

“O La Ninã contribui não só para potencializar a intensidade da atual onda de calor, como também pode fazer com que ela demore a passar”, explica o especialista da USP.

Fonte: BBC

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