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Pássaros mumificados revelam um lado obscuro da história

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Desde os primórdios da civilização, a humanidade tenta entender o passado para poder construir melhor o presente e o futuro. Por causa disso, questões levantadas sobre achados arqueológicos sempre intrigaram a ciência. E quanto mais se volta no tempo, mais lacunas existem nos registros arqueológicos.

Por exemplo, quanto mais os pesquisadores examinam os extremos severos do deserto do Atacama, no Chile, mais eles encontram. Como alguns achados mumificados maravilhosos que, às vezes, beiram algo estranho.

E como o lugar é extremamente seco, os antigos habitantes da região pareciam negociar tudo aquilo que podiam. Às vezes, uma coisa negociada, ao que parece, eram as penas brilhantes de pássaros coloridos, que eram trazidos para um deserto que eles não pertenciam. Contudo, esses animais estavam destinados a serem enterrados nele.

“O que consideramos interações aceitáveis ​​com animais sob nossos cuidados era muito diferente naquela época. Alguns desses pássaros não viveram uma vida feliz. Eles foram mantidos para produzir penas e suas penas foram arrancadas assim que cresceram”, explicou o arqueólogo antropológico Jose Capriles, da Universidade Estadual da Pensilvânia.

Análises

O homem é um especialista quando o assunto é descobrir estranhezas exóticas da cultura americana pré-colombiana. Nesse caso, a mãe dele, Eliana Flores Bedregal, que é ornitóloga de profissão, o ajudou nesse estudo. Ela foi coautora de um novo estudo que analisa a vida e a morte de mais de duas dezenas de papagaios mumificados e parcialmente mumificados que foram encontrados no deserto do Atacama.

Ao todo, pelo menos seis espécies de papagaios recuperados de cinco sítios arqueológicos do deserto foram estudados para esse estudo. Os restos desses animais datavam de 1100 a 1450 d.C.

“As penas das aves tropicais eram um dos símbolos mais significativos de status econômico, social e sagrado nas Américas pré-colombianas. Nos Andes, roupas e tecidos finamente produzidos contendo penas multicoloridas de papagaios tropicais materializaram poder, prestígio e distinção e eram particularmente apreciados pelas elites políticas e religiosas”, escreveram os autores.

E por trás desse uso de suas penas para mostrar status, os pássaros provavelmente viveram uma vida miserável em cativeiro e longe das florestas tropicais amazônicas que eram seu verdadeiro lar.

Pássaros

Algumas vezes, os pássaros eram depenados em outro lugar e as penas eram importadas para os Andes em recipientes especiais. Contudo, os restos mortais de 27 papagaios e araras, que foram analisados, sugerem que vários outros pássaros foram trazidos especificamente para o deserto por conta de suas penas vibrantes.

O comércio das penas é muito mais antigo na região, datando de por volta de 5050 a.C. Depois de milhares de anos, as penas eram uma característica apreciada tanto em roupas, como chapéus, cocares e outros ornamentos.

A maior parte das aves mumificadas, que foram examinadas nesse estudo, foram recuperadas do sítio arqueológico chamado Pica 8, que fica perto em uma comunidade de oásis dentro do deserto do Atacama. “A maioria dos pássaros foi colocada em associação direta com sepultamentos humanos”, escreveram os pesquisadores.

Usos

Em algumas vezes, os pássaros eram posicionados com poses elaboradas, com os bicos abertos e línguas para fora. Talvez isso fosse feito por conta de práticas ritualísticas que invocavam a capacidade dos papagaios de imitar a voz humana. Outros pássaros eram colocados com suas asas abertas, como se representasse a vontade de voar alto na vida após a morte.

“Não temos a menor ideia de por que eles foram mumificados dessa forma. Eles parecem ser eviscerados pela cloaca, uma abertura excretora e reprodutiva comum, que ajudava a preservá-los. Muitas vezes, eram embrulhados em tecidos ou bolsas”, disse Capriles.

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