O ex-boxeador porto-riquenho Prichard Colón morreu aos 33 anos, quase 11 anos depois de sofrer uma grave lesão cerebral durante uma luta nos Estados Unidos. Considerado uma das grandes promessas do boxe, o atleta construiu um cartel invicto antes de um combate contra Terrel Williams, em outubro de 2015, mudar completamente sua trajetória.
Prichard Colón construiu um cartel invicto antes de sofrer uma grave lesão cerebral em 2015. Foto: Reprodução.
Na época, Colón tinha apenas 23 anos e acumulava 16 vitórias em 16 lutas profissionais, sendo 13 por nocaute. Além disso, ele havia conquistado a medalha de ouro no Campeonato Pan-Americano Juvenil de 2010 e despontava como um dos nomes mais promissores do boxe porto-riquenho.
Nascido em Porto Rico e criado em uma família ligada ao esporte, Prichard Colón começou a construir uma carreira promissora no boxe ainda jovem.
O pugilista competia na categoria dos super meio-médios e ganhou destaque pela capacidade de conseguir nocautes. Aos 23 anos, portanto, ele chegou ao combate contra Terrel Williams sem nenhuma derrota no currículo profissional.
Além disso, Colón carregava a expectativa de seguir crescendo no cenário internacional. Entretanto, a luta realizada em Fairfax, no estado da Virgínia, acabou interrompendo sua carreira de maneira trágica.
Em outubro de 2015, Colón enfrentou o norte-americano Terrel Williams. Durante o combate, o porto-riquenho reclamou diversas vezes de golpes na parte de trás da cabeça, uma região na qual os golpes são proibidos no boxe.
O árbitro chegou a punir Williams com a perda de um ponto no sétimo assalto. Ainda assim, a luta continuou.
Colón também perdeu pontos durante o confronto por golpes baixos. No nono assalto, ele caiu duas vezes. Em seguida, sua equipe retirou suas luvas porque acreditava que a luta havia terminado. A arbitragem, porém, interpretou a atitude como uma desistência e desclassificou o pugilista.
Pouco depois, Colón passou mal no vestiário. Ele vomitou e desmaiou. Por isso, a equipe médica o levou rapidamente ao hospital.
No hospital, os médicos identificaram um hematoma subdural, uma condição que envolve o acúmulo de sangue entre o cérebro e uma de suas membranas.
Diante da gravidade do quadro, os médicos realizaram uma cirurgia de emergência para reduzir a pressão dentro do crânio. Mesmo após o procedimento, porém, Colón permaneceu em coma por 221 dias.
Quando finalmente despertou, o ex-boxeador apresentava graves sequelas neurológicas. Ele não conseguia caminhar nem falar de maneira independente e passou a depender de cuidados constantes da família.
Desde então, seus pais, Richard Colón e Nieves Melendez, assumiram grande parte dos cuidados necessários para sua rotina. Durante aproximadamente 11 anos, a família acompanhou de perto sua condição.
A tragédia também gerou uma disputa judicial. Em 2017, a família de Colón entrou com uma ação que pedia mais de US$ 50 milhões.
Entre os alvos do processo estava Richard Ashby, médico responsável pelo atendimento durante a luta. A família alegou negligência e questionou a forma como os sinais apresentados pelo boxeador foram tratados.
O processo, entretanto, não chegou a uma conclusão definitiva. Além disso, uma investigação oficial não apontou culpados individuais pela tragédia.
Mesmo afastado dos ringues, Colón continuou presente na memória de fãs e profissionais do esporte.
Em 2021, o Conselho Mundial de Boxe o homenageou como campeão honorário. A homenagem reconheceu não apenas sua carreira interrompida precocemente, mas também sua trajetória após a grave lesão sofrida no ringue.
Ao longo dos anos, sua história também passou a ser associada aos debates sobre segurança no boxe e aos riscos de golpes ilegais na parte posterior da cabeça.
Prichard Colón morreu em 13 de agosto de 2026, aos 33 anos. Seu pai, Richard Colón, confirmou a morte por meio de uma publicação nas redes sociais. A família não divulgou a causa específica da morte.
A morte encerrou uma história que começou com a ascensão de uma jovem promessa do boxe e terminou após mais de uma década de graves limitações provocadas pela lesão cerebral.
Ainda assim, seu legado permanece ligado ao esporte. Antes da tragédia, Colón havia construído um cartel invicto e conquistado reconhecimento como uma das principais promessas do boxe porto-riquenho.
Hoje, sua trajetória também serve como um lembrete dos riscos envolvidos nos esportes de combate e da importância de protocolos rigorosos de segurança dentro do ringue.
Prichard Colón tinha apenas 23 anos quando entrou no ringue para enfrentar Terrel Williams. Naquele momento, ele possuía 16 vitórias e nenhum resultado negativo entre os profissionais.
Quase 11 anos depois, sua história terminou longe dos ringues, após uma longa batalha acompanhada pela família.
Fonte: UOL





