Privação do sono pode estar te matando aos poucos, entenda
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Privação do sono pode estar te matando aos poucos, entenda

A maioria das pessoas sabe que ter uma boa noite de sono é importante, mas poucos realmente priorizam esse sagrado momento entre os lençóis. Assim, acabamos esquecendo a sensação de “estar realmente descansado”. Estimulantes como café e bebidas energéticas, além de despertadores e luzes externas, interferem diretamente no processo. Embora interrupções ocasionais do sono geralmente não sejam mais do que um incômodo, a falta contínua de sono pode levar a sonolência diurna excessiva e dificuldades emocionais. Além disso, também é possível notar desempenho insatisfatório no trabalho, obesidade e uma percepção reduzida da qualidade de vida. A privação do sono pode estar te matando aos poucos, e infelizmente não temos dúvidas disso.

“A dizimação do sono em todas as nações industrializadas está tendo um impacto catastrófico em nossa saúde, nosso bem-estar e até na segurança e educação de nossos filhos. É uma epidemia silenciosa de perda de sono. Está rapidamente se tornando um dos maiores desafios que enfrentamos no século 21”, disse o neurocientista Matthew Walker em palestra no Ted Talk, relatada pela jornalista Emily Dreyfuss (The Wire). Walker é especialista em sono pela UC Berkeley e autor do best-seller Why We Sleep.

Dormir não é luxo

Não dormir o suficiente impede o corpo de fortalecer o sistema imunológico e produzir mais citocinas para combater infecções. Isso significa que uma pessoa pode levar mais tempo para se recuperar de enfermidades. Em artigo publicado no ano de 2018, a Medical News Today Knowledge Center ressalta que a privação do sono também pode resultar em um risco maior de contrair doenças crônicas. Por isso, é mais do que necessário entender o sono como um instrumento de prevenção. Até porque a privação do sono pode estar te matando aos poucos.

Também é relevante perceber que as necessidades de sono variam ao longo das idades. Além disso, o agravamento está relacionado ao estilo de vida de cada um. Para determinar quanto sono precisa, é importante avaliar quais fatores estão afetando a qualidade e a quantidade de seu sono.

“A perda do sono vai se estender para todos os cantos da sua fisiologia”, ressalta Walker. “Dormir, infelizmente, não é um luxo de estilo de vida opcional. O sono é uma necessidade biológica não negociável. É o seu sistema de suporte de vida”.

Pagando a dívida do sono

Quando você não consegue obter a quantidade necessária de sono suficiente, você começa a acumular uma dívida de sono. Por exemplo: se você precisar de 7 horas de sono noturno para se sentir acordado e só conseguir 5 horas, terá uma dívida de sono de 2 horas. Se você continuar esse padrão por cinco noites, terá uma dívida de sono acumulada de 10 horas.

A única maneira de apagar uma dívida de sono é… dormir mais. Dependendo da gravidade da escala, pode levar algum tempo para se recuperar totalmente. No entanto, os efeitos positivos de pagar essa dívida serão sentidos o quanto antes.

Para pagar uma dívida de sono, é necessário começar a dormir o que você precisa, além de uma hora adicional por noite. Depois, a quantidade necessária de sono pode ser retomada sem a hora adicional. Mesmo que a dívida de sono seja vasta, ela ainda pode ser reconciliada com um esforço maior para reestruturar as obrigações e permitir tempo necessário para se recuperar. Você saberá que pagou sua dívida de sono quando acordar sentindo-se revigorado, sem a sonolência excessiva.

Lembrando que, segundo o The Guardian, o tempo apropriado para o sono varia entre pessoas e em diferentes momentos da vida. Em uma revisão abrangente, na qual 18 especialistas analisaram 320 artigos de pesquisa existentes, a Fundação Nacional do Sono dos EUA encontrou estatísticas importantes.

Segundo o cruzamento dos estudos, o período ideal de sono é de sete a nove horas para adultos, e oito a dez horas para adolescentes. Os recém-nascidos precisam de até 17 horas de sono por dia.

Declínio cognitivo

Ter sono adequado, de acordo com o site Popular Science, parece ajudar o nosso sistema imunológico a funcionar melhor. Enquanto nosso corpo está em repouso, as células imunológicas, conhecidas como células T, passam esse tempo correndo em volta de nossos corpos.

Outros especialistas também observaram como o sono afeta o aprendizado e a memória. Todos os dias, no trabalho ou na escola, aprendemos coisas novas. Contudo, a capacidade de recordar e usar essa informação mais tarde parece depender do sono.

Em um estudo, deram a dois grupos de adolescentes as mesmas informações e disseram que seriam testados. Um grupo aprendeu essa informação às 9h da manhã e fez o teste 12 horas depois, às 21h. O outro grupo aprendeu essa informação às 21h, teve uma noite inteira de descanso e fez o teste às 9h da manhã seguinte. Mesmo sem tempo adicional de estudo, os alunos que dormiram antes do teste foram melhores em desempenho e capacidade de aprendizado.

“A interrupção do sono profundo está contribuindo para o declínio cognitivo. Você precisa dormir depois de aprender para salvar as novas memórias. Ademais, recentemente, descobrimos que você também precisa dormir antes de aprender. Quase como uma esponja seca para sugar novas informações. Sem dormir, o cérebro fica essencialmente aquático”, afirma o neurocientista Matthew Walker, nos momentos finais de sua palestra no Ted Talk.

Qual é o seu comprometimento com as sagradas horas de descanso? Percebe mudanças imediatas após uma noite mal dormida? Compartilhe suas impressões conosco.