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Restaurante em Paris tem maioria da equipe de garçons e cozinha com Down

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Quando o assunto é inclusão, o restaurante Le Reflet, localizado no bairro nobre do Marais, em Paris, tem ganhado bastante atenção da mídia. Para além do salão moderno ou do sucesso da gastronomia baseada em ingredientes sustentáveis, a maior parte dos funcionários da casa tem síndrome de Down.

Flore Lelièvre, a fundadora do restaurante, se inspirou em seu irmão, que também é portador da síndrome. Portanto, Flore já sabia da importância de fornecer oportunidades para essa comunidade.

A francesa abriu o primeiro Le Reflet há seis anos em Nantes. Desde então, ela se dedica à culinária, junto com o time portador da síndrome de Down. Dessa forma, a síndrome é caracterizada pela presença de três cromossomos no par 21, sendo que a maior parte da população possui apenas dois. Com isso, Flore se esforça para fornecer um ambiente de trabalho adaptado para que todos os funcionários possam colaborar com facilidade.

“Você tem que se adaptar, mas a adaptação ajuda a todos. Constrói o espírito de um time. Na manhã, quando você tem uma pessoa com deficiência chegando para trabalhar com um sorriso e motivação, levanta o ânimo de todo mundo”, afirmou à RFI.

Além disso, Flore também ajudou a criar a associação Les Extraordinaires (Os Extraordinários), que visa ajudar negócios a integrar membros com deficiência às equipes. Assim, ela estimou em março de 2022 que entre 500 e 600 pessoas dentre as 65 mil com Down possuem emprego na França.

Por essa razão, ela apresentou o seu restaurante como um modelo de gestão com inclusão ao presidente Emmanuel Macron, em 2018. Em janeiro, o ex-presidente francês François Hollande visitou o estabelecimento.

Restaurante em Paris tem quadro de funcionários com síndrome de Down

Reprodução

“Nossa equipe é extraordinária. A ideia é dar a eles a oportunidade de ter um trabalho ‘normal’, em ambiente comum, mostrar que é possível fazer este tipo de projeto com pessoas com deficiência”, disse o gerente do salão, Olivier Vellutini, ao jornal The Connexion France na última nesta terça (3).

Dessa forma, dentre os 12 funcionários do restaurante, sete são portadores da síndrome. Eles recebem apoio de outros funcionários sem a deficiência, como a chef Sarag Kaladjian, o chef-pâtissier Fabrice Bloch e a sous-chef Marie Lou. Algumas das acomodações feitas por Flore são um sistema simplificado de pedidos, já que alguns dos garçons têm dificuldade em anotar os pedidos e em lembrá-las.

Portanto, os clientes carimbam um cartão com sua escolha de entrada, prato principal e sobremesa, sendo que a casa oferece três opções de cada, o que muda todo dia. Depois, os pedidos são levados à cozinha, onde a chef Sarah delega as funções de acordo com as habilidades de cada funcionário.

restaurante

Reprodução

“Eles cozinham pratos quentes quando possível, mas pode ser perigoso, então sempre estou por perto”, contou Sarah ao The Connexion. Na cozinha, são dois da equipe que têm a síndrome atualmente. “Eles são extremamente eficientes agora. Aprenderam tudo e saber o que são capazes de fazer dá a eles autoconfiança também”, disse a chef.

Funcionários apresentam bons resultados

Assim, Émile, um dos mais novos recrutas do restaurante, se juntou ao time em setembro do ano passado. Pela manhã, ele arruma as mesas e seca as louças. Já no almoço, ele ajuda a servir os clientes com os colegas Ibrahim e Ulysse. No entanto, já há perspectiva de promoção.

Como o sonho de Émile é o trabalho na cozinha, ele já treina para aprender a preparar pratos principais, assim como sobremesas. “No começo, ninguém conversava um com o outro, mas nós trabalhamos juntos para que pudéssemos ser um time. Agora, funcionários saem juntos para um café e eles tendem a se ajudar sem que ninguém peça”, revelou Sarah.

Essa estratégia de inclusão rendeu resultados surpreendentes. Em março deste ano, três garçons do restaurante Le Reflet serviram ministros que lidam com os direitos de pessoas com deficiência dos 27 estados-membros da União Europeia. A ocasião foi um jantar em Paris, organizado em homenagem à França, que assumiu a presidência do Conselho da União Europeia.

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