Ciência e Tecnologia

Sonda que registrou tremores em Marte encerra sua missão em breve

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“Foi bom enquanto durou” é pouco para definir a missão da sonda InSight Mars no planeta vizinho. Afinal, foi excelente a estadia do equipamento em Marte, momento em que a humanidade pôde entender melhor a estrutura sísmica e geológica desse colega de sistema solar.

Em live nesta terça-feira (17), a Nasa informou que a missão da sonda deve continuar fornecendo informações científicas até julho deste ano. Por outro lado, o fim de todas as atividades deve se dar no final do ano. Neste momento, o braço robótico da estrutura vai ser colocado em aposentadoria.

Fonte: NASA

Razão do fim

Basicamente, o desligamento da InSight Mars vai acontecer por falta de energia. Em missão desde novembro de 2018, esse fim já estava previsto nos cálculos da agência espacial.

A desativação ocorre por conta da poeira que se acumula nos painéis fotovoltaicos do robô. São essas placas que geram a energia que a sonda utiliza para mapear o interior de Marte e enviar as descobertas para a Terra. Nesse sentido, as tempestades de areia do planeta vizinho vão formando uma crosta que impede a luz do sol de chegar aos painéis. Logo, as capacidades de operação caem a níveis drásticos.

Vale lembrar que a InSight Mars é um robô estacionário, ou seja, ele fica parado. Portanto, não tem como ele se mover e sacudir a poeira que tanto prejudica a sua operação. Se ele pousou em Marte operando 5000 watts/hora por dia marciano (quando a sonda vê o Sol), agora esse valor está em 500 watts/hora.

De acordo com a gerente de projeto Kathya Zamora Garcia, “é uma redução equivalente a um forno elétrico ligado na Terra passar de 1h40 funcionando para apenas 10 minutos”.

Fonte: cottonbro

A fim de atrasar esse processo, os cientistas envolvidos realizaram algumas ousadas manobras. Uma delas foi usar o braço do robô para pegar terras e pedras de marte, e jogar todo esse material contra a poeira. Esse processo se repetiu por volta de seis vezes e em todas obteve sucesso, o que prolongou a vida útil da sonda.

Apesar da conformidade com a morte da InSight Mars, os cientistas ainda têm esperança de que uma forte ventania passe pelo robô e retire toda a poeira dos painéis solares. Ainda assim, vale dizer que a sonda em questão foi uma mão na roda para os estudos sobre Marte.

Legado

Mesmo operando nos últimos suspiros, a InSight Mars trouxe valiosas informações. No dia 4 de maio de 2022, o robô avisou os cientistas sobre a ocorrência de um “martemoto” de magnitude 5. Na Terra, esse tremor seria de escala média, porém, em outros planetas, ele é o maior já registrado.

“Estávamos esperando pelo grandão. Ele certamente fornecerá uma visão do planeta como nenhuma outra. Cientistas analisarão estes dados para aprender coisas novas sobre Marte pelos próximos anos”, disse Bruce Banerdt, principal pesquisador do projeto. Antes dessa grande tremulação, a sonda já havia detectado mais de 1.300 martemotos. Até então, o de maior escala com registro era um de 4.2 graus de magnitude.

Fonte: NASA

Durante os períodos de calmaria sísmica, o InSight Mars trouxe dados como a grossura e a composição da crosta planetária de Marte. Além disso, os cientistas puderam acessar o núcleo e o manto do planeta vizinho. Em síntese, essas informações formam um conjunto que ainda não foi totalmente apreciado pelos pesquisadores. Ou seja, a sonda vai embora, mas seu legado fica na forma de novas descobertas possíveis.

Dessa forma, a humanidade consegue entender melhor como outros planetas rochosos se desenvolveram até serem o que são hoje. Vale lembrar que os componentes desse grupo são Vênus, Terra e Marte. Por meio de projetos como o da InSight Mars, ficam visíveis as diferenças entre eles, como por exemplo a inexistência de placas tectônicas abaixo da superfície marciana.

Fonte: Tilt

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