
Faz 20 anos que o furacão Katrina mudou para sempre o sudeste dos Estados Unidos. Em agosto de 2005, a tempestade deixou 1.833 mortos, cidades submersas, famílias inteiras desabrigadas e um prejuízo histórico. Mas, por mais marcante que tenha sido, o Katrina está longe de ser o único monstro da natureza a devastar populações inteiras.
De 1780 até hoje, o planeta já viu furacões (e ciclones) tão intensos que entraram para a história como alguns dos desastres mais mortais e caros de todos os tempos.

No dia 9 de outubro de 1780, o Caribe enfrentou o chamado Grande Furacão, ainda considerado o mais mortal já registrado. Em Barbados, a fúria dos ventos, que chegaram a mais de 322 km/h, arrancou casas, engoliu vilarejos e destruiu frotas navais inteiras. O saldo: entre 20 mil e 27,5 mil mortos. Imagine um barulho tão alto que as pessoas não conseguiam ouvir a própria voz.
Depois de Barbados, a tempestade devastou Martinica, Santa Lúcia e Santo Eustáquio. Ondas de até 7 metros engoliram cidades e milhares de marinheiros foram tragados junto com seus navios. Restou apenas “lama, destroços, gado morto e cadáveres em decomposição”. Uma cena apocalíptica.

Nos Estados Unidos, o furacão mais mortal ocorreu em 1900, na cidade de Galveston, Texas. Com ventos de categoria 4, a tempestade matou entre 6 mil e 8 mil pessoas. Sobreviventes relataram cenas horríveis: “eram tantos corpos que eu tive que usar uma vara para tirá-los do caminho”.
Foi um desastre sem precedentes, marcando a cidade para sempre na memória americana.

Nem todo desastre ficou restrito ao Atlântico. No sul da Ásia, os ciclones também mostraram sua força. O ciclone Bhola, em 1970, atingiu o atual Bangladesh e o nordeste da Índia com uma onda de 10,5 metros de altura. O resultado foi uma tragédia sem paralelo: cerca de 500 mil pessoas morreram. Vilarejos inteiros foram varridos do mapa.

Se o critério for dinheiro e destruição, dois nomes se destacam: Katrina (2005) e Mitch (1998). O Katrina deixou 80% de Nova Orleans submersa, com enchentes de até 6 metros e 59 tornados espalhados em oito estados. O prejuízo: mais de US$ 200 bilhões, o desastre mais caro da história dos EUA.
O furacão Mitch, por sua vez, foi devastador na América Central. Antes de chegar aos EUA, ele varreu Honduras, Nicarágua, Guatemala e El Salvador. Foram 10 a 19 mil mortos, 200 mil casas destruídas e vilas inteiras arrastadas por rios de lama. Só em Honduras, 70 mil casas e 92 pontes desapareceram. Mais de meio milhão de pessoas perderam o lar.

Alguns furacões não entram na lista pela destruição, mas pela intensidade. O furacão Patricia, em 2015, atingiu o México com rajadas de até 356 km/h, a maior velocidade já registrada no Hemisfério Ocidental. Por sorte, ele passou por áreas pouco povoadas e rapidamente perdeu força, resultando em apenas seis mortes confirmadas. Mas deixou claro o poder absurdo que essas tempestades podem alcançar.
Nos últimos anos, cientistas têm observado um fenômeno cada vez mais comum: furacões que se intensificam de forma muito rápida. O caso mais recente é o furacão Erin, em 2025, que pulou de categoria 1 para 5 em pouco mais de 24 horas.
Em 2024, o furacão Milton fez história como o mais rápido a ir de depressão tropical a categoria 5 no Atlântico. No mesmo ano, o Beryl quebrou recorde ao se tornar o furacão mais forte já formado em junho/julho. E antes disso, Lee (2023), Jova (2023), Felix (2007) e Wilma (2005) também surpreenderam pela aceleração repentina.
A ciência diz que o aquecimento dos oceanos devido às mudanças climáticas está deixando os furacões mais fortes, mais rápidos e mais imprevisíveis. O Erin, por exemplo, passou sobre águas 1,1°C mais quentes do que a média, o que alimentou sua força.
Isso significa que, no futuro, eventos como o Katrina, o Mitch ou o Bhola podem se tornar ainda mais comuns e perigosos.
Fonte: BBC






