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Ansiedade: crianças se cortam com lâmina de apontador em São Paulo

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A escola estadual de Jarinu, no interior de São Paulo, relatou um acontecimento assustador. Isso porque um surto coletivo de ansiedade resultou em crianças se cortarem com lâmina de apontador no banheiro e na sala de aula. Elas disseram sentir solidão e tristeza, de acordo com reportagem do Fantástico.

O caso começou com duas alunas que se cortaram com a lâmina. Depois, outros sete alunos, com idades entre 11 e 12 anos, também se automutilaram na escola, segundo informações da Secretaria Estadual de Educação. Assim sendo, os alunos são do sexto e sétimo ano do Ensino Fundamental.

Em entrevista ao Fantástico, uma das meninas envolvidas no caso relatou, ao lado da mãe, que os cortes foram feitos como uma forma de lidar com a tristeza que ela sentia. “Eu achava que me machucar, de qualquer maneira, podia aliviar aquela dor que eu senti”, disse a menina.

Outra aluna relatou que ela e os demais colegas se cortaram por conta de problemas com tristeza e com família. Ao tomar conhecimento do caso, no dia 30 de março, a escola notificou a secretaria, que informou que fará acompanhamento psicológico com as crianças.

Surto de ansiedade no Recife

Pedro Menezes

Esse caso não é isolado. A necessidade de falar sobre saúde mental entre crianças está cada vez mais aparente, principalmente após os desdobramentos da pandemia do Covid-19.

No dia 8 de abril, quase 30 alunos tiveram de ser socorridos por ambulância depois de uma crise de ansiedade coletiva no Recife. Em uma cena chocante de crianças desmaiadas, chorando e tremendo, pessoas acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Com isso, o protocolo de atendimento de múltiplas vítimas chegou a entrar em vigor, por conta da quantidade de alunos em crise, 26, conforme registrado. Assim, os alunos tiveram atendimento no local e ninguém precisou de maiores cuidados.

“Eu ainda estava passando mal, com muita falta de ar, e chegou o momento que eu não estava conseguindo respirar. Eu estava puxando o ar, mas não estava vindo. Aí eu deitei no chão, na grama mesmo, no pátio, e senti que ia morrer naquele momento”, afirmou a aluna de 15 anos que estava entre os adolescentes.

O caso aconteceu na Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Ageu Magalhães, zona norte de Recife. Por conta de tudo, as aulas só retornaram no dia 11 de abril, mas a estudante revelou que não conseguiu voltar ao colégio.

“Não fui para a escola porque ainda estou com muito medo, estava me sentindo muito mal pelo que aconteceu na sexta-feira. Não sei quando vou voltar, porque estou com medo de ir para escola e acontecer tudo de novo. Nunca vi isso, muita gente passando mal, muita gente tendo crise de ansiedade ao mesmo tempo, gente desmaiando, tinha várias pessoas desmaiadas”, declarou.

Crises pós-pandemia

Após o isolamento social e a crise mundial provocados pela pandemia de Covid-19, o governo de Pernambuco realizou um mapeamento. Em 2021, 69% dos estudantes da rede estadual relataram sintomas de depressão e ansiedade. Essa taxa representa mais de 440 mil alunos, contando crianças e adolescentes.

A psicóloga Anna Paula Avelar, professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), afirma que casos como os comentados são relacionados à pandemia, em especial o caso de Recife. “Um gatilho acionou uma crise de ansiedade coletiva. Em qualquer situação de crise social muito severa, isso pode acontecer. Essa volta às escolas foi como se tivesse sido um período de férias, mas não foi. Foi uma parada grave, uma crise social grave. Então, não existe um fator único”, detalhou.

“Essa volta não foi gradual e essas cobranças não foram graduais. Alguma situação específica pode funcionar como um gatilho. Vivemos uma pandemia e esses estudantes voltaram a ter aulas e a serem cobrados como antes, após quase dois anos fortemente privados desse convívio social”, disse.

Fonte: Metrópoles

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