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Aparentemente ingerir muita gordura está ligado a sintomas de depressão

POR Cristyele Oliveira    EM Ciência e Tecnologia      15/05/19 às 14h44

A depressão já se mostrou ser o mal do século. E não é para menos já que a doença tem afetado cada vez mais pessoas em todo o mundo. Vários cientistas têm focado as suas linhas de pesquisa nesse campo. Uma tentativa de entender melhor como funciona a doença e talvez encontrar um melhor tratamento. Um novo estudo, feito por pesquisadores da Universidade de Glasgow, na Escócia, sugere que existe uma correlação entre comer uma dieta rica em gordura e o desenvolvimento da depressão.

Essa relação entre a obesidade e a depressão já havia sido observada anteriormente. Mas os cientistas entenderam que isso estava mais relacionado a fatores psicológicos do que físicos. O estudo mais recente mostra como algumas gorduras atingem o cérebro. Essas gorduras dietéticas interrompem vias específicas de sinalização no hipotálamo, induzindo sintomas de depressão.

O estudo

Não é de hoje que os cientistas se atentam a uma ligação entre a obesidade e a depressão. Mas até então, acreditava-se que os dois estavam interligados por meio de associações psicológicas. Mas estudos mais recentes estão começando a mostrar que talvez essa conexão entre os dois possa ser sustentada por mecanismos biológicos e não psicológicos.

O mais novo estudo, publicado em 2018, analisou os mecanismos neurológicos que podem ser potencializados pelas dietas ricas em gordura em ratos. Eles descobriram que ratos que receberam uma dieta gordurosa apresentaram comportamentos depressivos. O estudo deduziu que as dietas ricas em gordura podem alimentar populações de bactérias intestinais capazes de induzir mudanças neuroquímicas. Essa mudanças ocasionalmente levam a sintomas de depressão.

O estudo mostrou ainda que os sintomas da doença resultam de perturbações no envio de sinais no caminho CAMP/PKA no hipotálamo. Os resultados apontaram que essas perturbações no caminho acontecem devido ao acúmulo de diferentes ácidos graxos presentes na dieta gordurosa, exatamente nesta região do cérebro.

A pesquisa apresentou resultados inéditos. Essa é a primeira vez que cientistas conseguem observar ácidos graxos se moverem pela corrente sanguínea. Essas ácidos se acumulam em uma região específica do cérebro. E provoca mudanças de comportamento, essas que causam os sintomas de depressão.

"Esta é a primeira vez que alguém observou os efeitos diretos que uma dieta rica em gordura pode ter nas áreas de sinalização do cérebro relacionadas à depressão", disse George Baillie, principal autor do estudo.

Obesidade e depressão

Isso pode ajudar a explicar a depressão em pacientes obesos. Isso porque, há muito tempo, tem se observado que pessoas obesas diagnosticadas com depressão não respondem tão bem ao tratamento com antidepressivos em comparação com as não obesas. "Esta pesquisa pode começar a explicar como e porque a obesidade está ligada à depressão e como podemos potencialmente tratar melhor pacientes com essas condições", afirma Baillie.

Este estudo levanta uma nova hipótese interessante. Os pesquisadores sugerem que uma nova fórmula de antidepressivos possa ser desenvolvida para atuar diretamente nesse mecanismo neurológico. Fórmula essa que poderia ser usada para fazer um medicamento mais eficaz para pacientes depressivos com sobrepeso ou obesidade.

"Frequentemente comemos alimentos gordurosos para nos trazer conforto porque eles têm sabor bom, porém em longo prazo isso pode afetar o humor da pessoa de forma negativa", disse o autor.

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Cristyele Oliveira
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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