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As cidades fantasmas da China

Cidades fantasmas China
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A China é conhecida por muitas coisas, como a tecnologia de ponta e as cidades populosas, mas existe um aspecto que chama a atenção e confunde bastante gente. Desde o final dos anos 2000, cidades fantasmas na China vêm ganhando destaque, ainda mais considerando que essas cidades não são pequenas.

Por exemplo, Ordos foi projetada para comportar um milhão de pessoas, mas só tem 100 mil habitantes. A cidade de Tianducheng, que possui uma cópia da Torre Eiffel, só ocupa 10% do espaço projetado inicialmente. Thames Town, inspirada em Londres, também está praticamente vazia.

Cidades fantasmas

Não são poucos os casos das cidades fantasmas na China. Na verdade, existem cerca de 50 delas! Para ser uma cidade fantasma, é necessário ter um baixo nível de ocupação. Com tão poucas pessoas morando em um lugar planejado para milhares, as cidades parecem estar abandonadas.

Sendo assim, elas possuem escolas, hospitais, centros comerciais e tudo o que você espera de uma cidade, mas não possuem os habitantes. Isso faz muita gente se perguntar o motivo dessa ausência.

Até 1998, a China não tinha um mercado imobiliário. Isso porque o governo Chinês e as estatais ofereciam acomodações para a população. Com isso, não tinham compra, venda ou aluguel de casas.

Reforma imobiliária

No entanto, em 1998, o partido comunista chinês decidiu privatizar o mercado imobiliário da China, definindo a urbanização como estratégia nacional. Isso tornaria o mercado imobiliário o novo motor de crescimento para o país, que estava com a economia desacelerada por causa da crise asiática de 97.

Essa reforma fortaleceu os governos locais, que agora tinham maior poder administrativo sobre o planejamento urbano. Os gastos públicos foram descentralizados e os governos locais passaram a vender os direitos de uso da terra.

O dinheiro obtido por essas vendas se tornou uma fonte grande de arrecadações fiscais. Essa arrecadação foi essencial para investir em projetos de infraestrutura, cumprindo as metas impostas pelo governo da China. 

Além disso, as províncias são proibidas de tomar empréstimos pelo mercado financeiro, então precisam se financiar por meio de um sistema do governo, o LGFP. Para conseguir o financiamento, eles usam as vendas futuras das terras como garantia. Em 2013, de todas as dívidas dos governos locais, cerca de 40% usavam a venda futura das terras como garantia.

Então, eles desenvolvem o máximo de projetos. Assim, mesmo que não vendam tudo imediatamente, são tratados como receitas futuras, então o governo fornece o crédito.

Muitas vezes, os desenvolvedores dos projetos focam em lugares residenciais e não na industrialização ou serviços públicos. Mas, são esses setores que geram trabalho e movimentam a economia local. Então, as áreas residenciais acabam sendo pouco atraentes para os possíveis moradores por falta de emprego. 

Urbanização artificial

Cidades fantasmas China

Barnaby Chambers/Shutterstock

Como resultado, temos a urbanização artificial e as cidades fantasmas. Um lugar com imóveis não é o suficiente para que tenha população. É necessário estabelecer as bases de um sistema financeiro eficiente, capaz de garantir segurança e proteção das necessidades financeiras da população e investimentos das empresas.

Contudo, as instituições financeiras da China têm fama de baixa transparência e credibilidade, além de pouca regulação dos serviços financeiros. Como resultado, podemos ver exemplos como a queda da bolsa de valores de Xangai no início do século 21.

O mercado financeiro chinês é considerado instável. Sendo assim, os chineses veem investimentos em imóveis muito mais atraentes e acessíveis por causa do crédito estimulado pelo governo. Resultado disso é que muitos empresários decidem construir e então aguardar pela valorização do local. Logo, os preços ficam inacessíveis, impossibilitando a compra de pessoas que querem morar nesses locais. 

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