
Todos nós estamos cientes dos problemas ambientais causados pelo plástico. E um dos ambientes mais afetados por essas poluição são os oceanos. Eles são o lar de mais de 20 mil espécies conhecidas e pode ainda ter até dois milhões desconhecidas. No entanto, além dos animais, os oceanos também têm 24,4 trilhões de partículas de microplásticos.
Esse depósito de microplásticos triplicou nos últimos 20 anos, o que mostra um aumento bastante preocupante na poluição marinha. E ele não é somente uma camada de sujeira no fundo do oceano. Os microplásticos estão sendo consumidos por muitos animais marinhos.
De acordo com relatórios, pelo menos 1.500 espécies já foram vistas consumindo esses plástico. Segundo uma pesquisa publicada no jornal Science of the Total Environment, baía de Hauraki, na Nova Zelândia, as baleias comem aproximadamente três milhões dessas partículas todos os dias.

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Por mais que as consequências desse consumo ainda sejam desconhecidas, elas trazem grandes preocupações. Até porque, mesmo em águas que são moderadamente poluídas, como na costa oeste dos EUA, as baleias podem estar consumindo milhões de microplásticos e microfibras todos os dias. O mais curioso é que 99% desse consumo acontece pela ingestão de animais que já estão contaminados pelo plástico.
Saber qual é a taxa de ingestão de microplásticos é importantíssimo para que se compreenda quais são os possíveis impactos para a saúde das baleias. De acordo com pesquisas, se os microplásticos forem pequenos o suficiente, eles podem atravessar a parede intestinal das baleias e irem para os órgãos internos. Além disso, essa ingestão também pode fazer com que substâncias químicas disruptoras endócrinas sejam liberadas.
E mesmo que as consequências desse consumo a longo prazo ainda sejam limitadas, o provável é que comer esses materiais artificiais não seja algo benéfico tanto para o organismo das baleias como para as presas delas.
Esse declínio na população de baleias afeta não somente os cetáceos, mas também todo o ecossistema marinho e os seres humanos. Isso porque as baleias são engenheiras do ecossistema e agem como bomba, recirculando os nutrientes consumidos e servindo como vigias do ecossistema. Por isso que quando elas não têm uma grande população ativa, outras partes do sistema marinho também enfrentarão problemas.

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Os microplásticos são produzidos em grande quantidade através de atividades do dia a dia, como por exemplo, lavar roupas e dirigir. Para tentar combater esse problema, Kahane-Rapport deu algumas dicas do que as pessoas podem fazer.

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O microplástico está presente em praticamente tudo, por isso que não é uma surpresa que nós o ingerimos. Foram encontrados em nossas fezes, muito provavelmente como resultado de comer em recipientes de plástico. No entanto, um novo estudo fez uma descoberta bem chocante. As concentrações de microplástico são bem maiores nos intestinos dos bebês do que nos dos adultos que vivem na mesma região.
Especificamente, mais quantidade de microplástico foi localizada nas fezes de seis bebês, com um ano de idade, na cidade de Nova York do que nas fezes de 10 adultos. Já o mecônio, que são fezes mais antigas, de três recém-nascidos na cidade, apresentou uma concentração mais próxima da vista nos adultos.
Essa descoberta sugere que os bebês têm uma exposição maior a esses microplásticos do que os adultos. Provavelmente isso acontece porque mais utensílios de plástico são utilizados com os pequenos, como por exemplo, chupeta, copinhos e brinquedos que eles mastigam quando os dentes estão nascendo.
“Nossos dados fornecem evidências básicas para doses de exposição a microplásticos em crianças e adultos e apoiam a necessidade de mais estudos com um tamanho de amostra maior para corroborar e estender nossos resultados”, escreveram os pesquisadores.
Os impactos da ingestão de microplástico na saúde ainda são desconhecidos. Mas podem não ser tão inofensivos como se pensava. Tanto é que levantamentos recentes sugerem que eles, abaixo de um determinado limite de tamanho, podem atravessar as membranas celulares e entrar no sistema circulatório. Com isso, podem trazer um impacto negativo para a função celular.
Em média, as fezes dos bebês tinham 10 vezes mais PET do que as dos adultos. Por mais que essa amostra tenha sido pequena para determinar, de forma conclusiva, quais eram as razões para isso acontecer, existe uma grande gama de possibilidades.
“Sabe-se que bebês de um ano de idade costumam comer produtos e roupas de plástico. Além disso, estudos mostraram que a fórmula infantil preparada em mamadeiras de PP pode liberar milhões de microplásticos, e muitos alimentos infantis processados são embalados em recipientes de plástico que constituem outra fonte de exposição para os pequenos. Além disso, os têxteis são uma fonte de microplásticos PET. Os bebês frequentemente mastigam e chupam panos e, portanto, a exposição dessa faixa etária aos microplásticos presentes nos têxteis é uma preocupação maior”, explicou o grupo de trabalho.
De acordo com os pesquisadores, essas descobertas mostraram a necessidade de se fazer investigações mais aprofundadas a respeito desse fenômeno.
Fonte: Socientifica, Science alert
Imagens: GZH, Terra, Olhar digital






