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Como detectaram o naufrágio mais profundo do mundo

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No dia 23 de outubro de 1944, a história humana moderna presenciou o acontecimento da maior batalha naval. Os primeiros combates aconteceram neste dia, no Golfo de Leyte, parte do Mar das Filipinas.

Nos três dias subsequentes, cerca de 70 navios japoneses enfrentaram mais de 300 navios de guerra dos Estados Unidos. Além disso, a frota estadunidense também contava com 34 porta-aviões, que contabiliza um pouco menos de todos os porta-aviões em serviço nos dias atuais ao redor do mundo. Também foram utilizadas 1,5 mil aeronaves. Com isso, a frota americana excedia a dos japoneses numa proporção aterrorizante de cinco contra um.

Dessa forma, a batalha resultou em duas coisas: ela impediu que os japoneses interferissem na invasão estadunidense das Filipinas, que já havia sido tomada pelos japoneses cerca de quatro anos antes da batalha. Além disso, o combate naval deixou a Marinha Imperial Japonesa (IJN, da sigla em inglês) inativa durante toda a Segunda Guerra Mundial.

Assim sendo, quase 30 navios japoneses foram afundados. Muitos dos que restaram, incluindo o maior navio de guerra já construído, o Yamato, foram tão comprometidos e ficaram confinados no porto durante o restante da guerra.

Por mais que os Estados Unidos superassem a frota japonesa, houve uma batalha que a Marinha americana se viu em apuros. Isso porque uma pequena esquadra, o Task Force 77, composta sobretudo por porta-aviões e destróieres não blindados, se encontrou enfrentando uma frota japonesa numerosa.

navio

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Batalha na ilha de Samar

O combate entre o Task Force 77 e a marinha japonesa aconteceu na ilha de Samar. Assim, em ampla desvantagem em relação aos números, a frota americana lutou com muita determinação, desferindo ataques bem armados. Isso levou o comandante japonês, vice-almirante Takeo Kurita, a dar meia volta com sua frota, por acreditar que estava enfrentando a maior parte das forças dos Estados Unidos.

Os destróieres americanos relativamente sem blindagem chegaram o mais perto possível dos navios de guerra do IJN, o que os impediram de usar suas armas de longo alcance. Essa tática evitou um possível massacre, mas ainda assim, a resistência teve um preço alto.

Dessa forma, cinco dos 13 navios dos Estados Unidos afundaram, incluindo o destróier chamado USS Johnston. Ele recebeu golpes pouco depois das 7h do Yamato, lutando por mais duas horas. Então, com os sobreviventes agarrados à popa do navio, o Johnston finalmente afundou, levando consigo 186 dos 327 tripulantes.

De acordo com relatos de sobreviventes, um dos capitães dos destróieres japoneses bateu continência enquanto a embarcação desaparecia embaixo das ondas.

Naufrágio mais profundo

A maior parte dos naufrágios do mundo são encontrados em águas costeiras rasas, considerando que os navios seguem rotas comerciais para os portos. Logo, como as águas costeiras oferecem uma oportunidade de refúgio, é onde a maior parte dos navios afunda.

No entanto, o caso do naufrágio do Johnston é diferente. Não foi uma queda suave e sim uma queda vertiginosa em grandes profundidades. Isso porque a ilha de Samar está à beira de um cânion marinho conhecido como a Fossa das Filipinas, que se estende por cerca de 1.320 km ao longo da costa das Filipinas e da Indonésia.

Sendo assim, a Fossa é muito funda, ao ponto de ninguém saber ao certo quanto tempo levou para o naufrágio chegar ao fundo do oceano. Depois de 100 metros, a luz solar teria começado a desaparecer. Assim, a 1.000 metros, o casco do Johnston estaria em águas poucos graus acima de zero.

Nessa zona, chamada de batial, não há plantas ou fitoplâncton porque não há luz solar. Então, na zona abissal, depois dos 4.000 metros de profundidade, a maior parte das criaturas não conseguem viver ali. A cerca de 6.000 metros de profundidade, encontramos o fundo da Fossa das Filipinas. Em seu ponto mais baixo, atinge 10.540 metros abaixo do nível do mar.

USS Johnston

Passaram-se 75 anos até que seres humanos encontrassem o USS Johnston, sendo o primeiro Victor Vescovo, ex-oficial da inteligência da Marinha americana. “Sou um alpinista hardcore há 20-25 anos, e quando eu já havia feito muitas das coisas que queria fazer nesta área, eu estava procurando um desafio diferente, e vi isso como uma boa coisa simétrica a fazer: ir para as profundezas dos oceanos”, disse ele à BBC Future.

“E acabou que ninguém tinha estado no fundo de todos os cinco oceanos do mundo. Nunca haviam estado no fundo de quatro deles.” Para ele, era questão de financiamento.

“Então eu assinei o cheque, reuni a equipe e, nos três anos seguintes, projetamos e construímos o submersível de mergulho mais profundo da história que é capaz de fazer isso repetidamente, o que não existia antes, e então o levamos ao redor do mundo.”

“Sou ‘historiador militar’ desde criança e também servi à Marinha dos EUA por 20 anos, então sabia muito sobre a batalha. Achei que seria uma tentativa interessante tentar encontrar o naufrágio.”

Com pistas o suficiente para encontrar a localização do Johnston, levaram o submarino para a Fossa das Filipinas e encontraram a nave, que estava relativamente intacta. “O Johnston estava muito profundo, ainda mais profundo que o Titanic. Havia menos corrosão, menos vida nele, então parecia mais intocado do que o Titanic, não tinha todas aquelas estalactites penduradas, a ferrugem. Você podia ver as cicatrizes de batalha no navio, onde os projéteis entraram e o atingiram, as armas ainda estavam apontadas para a direita, o navio ainda parecia estar lutando”, contou o ex-oficial.

Fonte: BBC

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