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Conheça a mulher que salvou mais de 15 mil garotas da mutilação no Quênia

POR Cristyele Oliveira    EM Compartilhando coisa boa      12/03/19 às 17h31

No mundo todo, existem diversas culturas que ainda mantêm suas tradições por meio de rituais religiosos que hoje poderiam facilmente ser considerados arcaicos por muitos. No entanto, não devemos julgar as tradições alheias, porém em alguns países, esses rituais acabam sendo uma prática terrível que fere os direitos humanos. Em alguns países da África, por exemplo, as meninas passam por um ritual em que são circuncidadas em um rito de passagem para se tornarem mulheres. Inclusive, já listamos aqui os 10 rituais africanos mais bizarros.

Nice Nailantei Leng"ete é uma queniana de 27 anos, que tem feito um trabalho memorável na missão de ajudar as jovens garotas a escapar do "female cutting", também chamado de mutilação genital feminina (MGF). A mulher, que foi nomeada umas das pessoas mais influentes do mundo pela prestigiada revista americana Time, já ajudou mais de 15 mil meninas a evitar a mutilação.

Ritual de passagem

Nice tem dedicado a sua vida a causa das meninas africanas, e lembra de como ela conseguiu escapar do ritual quando tinha apenas 8 anos de idade. "Eu escapei fugindo", conta Nice, que se escondeu em uma árvore com a sua irmã até a cerimonia terminar.

Hoje, ela já evitou que mais de 15.000 garotas fossem submetidas ao ritual. Sua meta agora é conseguir livrar a África do casamento infantil e da mutilação feminina até o ano de 2030. Para isso, ela entende as tradições locais, e apresenta ritos de passagem alternativos para a sua comunidade Maasai, que é dominada por homens.

"A MGF, para o Maasai, é um rito de passagem da infância para a feminilidade. As mulheres não são consideradas mulheres a menos que tenham passado pela MGF ", explica ela sobre significado da mutilação.

Além disso, após o ritual, as meninas já podem se casar e ter filhos.

"A MGF, na minha comunidade, tem relação com as meninas que terminam sua educação, com o casamento infantil e com a gravidez na adolescência. Uma menina tem 10 ou 12 anos quando se submete à MGF. Então, na teoria, ela é uma mulher, e isso significa que ela está pronta para o casamento e para ter filhos", afirma ela.

Mesmo que isso ainda seja o destino da maioria das meninas de sua aldeia, Nice sabia que não era isso o que ela queria para sua vida, enquanto testemunhava o ritual ainda criança.

"Eu vi dor. Eu vi a morte. Desde que eu tinha 7 anos de idade, eu costumava assistir a essas cerimônias na minha comunidade com meninas submetidas a MGF. Eu vi minhas amigas saírem da escola e se casarem. E eu queria continuar minha educação", contou.

O fim da prática de mutilação

E ela estava decidida, depois de fugir da sua cerimônia. Foi então que Nice se tornou a primeira mulher da sua aldeia a ingressar no ensino médio. Sua atitude serviu de inspiração para outras meninas em sua comunidade, e o seu uniforme escolar se tornou símbolo da sua resistência. Muitas dessas meninas, encorajadas por Nice, procuraram ajuda para evitar a mutilação.

Ela então escondia as meninas que vinham até ela em busca de ajuda. Sua atitude fez dela uma mulher popular na região, e a partir disso, ela começou a mudar sua abordagem. Ela começou a compartilhar informações sobre saúde sexual e bem-estar na sua aldeia como forma de acabar com os rituais por meio da educação.

Não foi bem uma tarefa simples, mas depois de quatro anos fazendo um trabalho de conscientização na sua comunidade, os idosos estavam convencidos de que os Maasai poderiam ser mais prósperos se as mulheres tivessem a oportunidade de ficar mais tempo na escola, se casarem mais tarde e renunciarem às circuncisões femininas. Graças à Nice, em 2014, eles finalmente renunciaram oficialmente à pratica de mutilação genital feminina.

Para ela, a melhor recompensa da sua luta é poder ver essas meninas tendo melhores oportunidade de vida.

"Ser capaz de proteger essas meninas mais jovens dessas práticas prejudiciais é o que eu quero fazer, é um trabalho importante. Quando vejo as meninas na escola, essa é a minha felicidade", contou.

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Cristyele Oliveira
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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