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O desastre nuclear que foi mantido em segredo por 30 anos

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Trinta anos antes do famoso acidente, resultado da explosão do reator nuclear da Usina de Chernobyl, que é visto como o mais devastador acidente nuclear de todos os tempo, houve outro grande acidente que ocorreu em uma usina nuclear soviética. Esse aconteceu em Mayak, uma das maiores instalações nucleares da Rússia, localizada perto da cidade de Kyshtym, distrito de Chelyabinsk, nas montanhas do sul dos Urais. O que mais chamou a atenção nesse acidente foi o fato de que ele foi silenciado por funcionários por mais três décadas. O governo soviético manteve esse desastre em segredo por mais de 30 anos.

E pensando um pouco melhor sobre esse evento que entrou para a história após ser revelado, decidimos trazer essa matéria para você, caro leitor. A redação da Fatos Desconhecidos buscou e trouxe mais detalhes sobre tudo o que aconteceu nesse acidente. Confira conosco a seguir e compartilhe com seus amigos desde já. Sem mais delongas, vamos lá.

O início da história do acidente nuclear

A instalação nuclear de Mayak foi projetada logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. O intuito era servir como uma das construções iniciais do emergente programa nuclear soviético. O principal motivo da usina era produzir plutônio para a fabricação de armas nucleares. No entanto, esse programa teve um início bem lento. Até mesmo os cientistas soviéticos acreditavam que as armas atômicas eram inviáveis e que a pesquisa nuclear não tinha aplicações práticas. Como consequência, a maior parte da pesquisa feita sobre o assunto foi feita de forma equivocada.

Mayak foi construída em 1948, com grande pressa. Lavrentiy Beria, político soviético e chefe do programa nuclear naquela época, forçou mais de 40 mil prisioneiros de guerra a construir a usina e a cidade fechada de Ozersk na  periferia, onde suas famílias viveriam. O local teria o maior reator da Rússia, cobrindo 90 quilômetros quadrados, grande o suficiente para ser considerada uma cidade. Tanto Mayak quanto Ozersk não apareceriam nos mapas públicos soviéticos. Sendo assim, a existência e localização eram mantidas em segredo.

Desde o começo, a usina nuclear era um lugar perigoso. Deram pouca atenção à segurança dos trabalhadores ou à eliminação responsável de materiais residuais. Desta forma, resíduos radioativos foram sendo armazenados no subsolo. Quando o local ficou sem espaço, em vez de interromper a produção, o material começou a ser despejado no lento Rio Techa. Mais de cem mil pessoas usavam esse rio. Em poucos anos, todos os corpos de água em torno de Mayak já haviam sido fortemente contaminados.

Surgimento de problemas

Tudo isso resultou em diversos acidentes fatais. Um dos primeiros ocorreu em 1953, mas havia passado despercebido até que um trabalhador desenvolveu uma grave doença relacionada à radiação. Isso exigiu a amputação de suas pernas. O acidente mais notável, chamado de “desastre de Kyshtym”, aconteceu no dia 29 de setembro de 1957, quando o sistema de resfriamento de um dos tanques de resíduos falhou. Esse problema passou despercebido até que o tanque explodiu com uma força equivalente a cerca de 70 toneladas de TNT.

Embora não tenha havido mortes necessariamente ligadas à explosão em si, ela provocou uma nuvem radioativa no céu. Os moradores do distrito de Chelyabinsk puderam notar isso ao olhar para o céu. A imprensa local especulou o que poderia ser aquilo. Vale destacar que por causa do sigilo em torno da usina, os moradores não haviam sido informados sobre o acidente. Para piorar tudo, nos dias seguintes, aquela nuvem se deslocou por centenas de quilômetros, contraminando uma área de aproximadamente 15.000 a 20.000 quilômetros quadrados, colocando a vida de 270 mil pessoas em risco.

O desenrolar do desastre de Kryshtym

A evacuação do assentamento mais próximo começou apenas uma semana após o acidente. Ainda assim as pessoas não eram informadas sobre o que havia de fato acontecido. Os oficiais só pediram para que elas fizessem as malas e saíssem. Cerca de 10.000 pessoas foram evacuadas durante um período de dois anos. Vários relatórios vagos sobre um possível acidente catastrófico começaram a aparecer na imprensa ocidental em 1958. O primeiro a divulgar foi um jornal de Copenhague, que alegava que algo grave poderia ter acontecido para que a União Soviética decidisse suspender os testes nucleares em março daquele ano.

Em 1959, outro relato apareceu em um jornal austríaco. No entanto, ambos os relatórios foram sistematicamente negados pelos funcionários do governo soviético. Somente em 1976 as coisas ficaram mais claras, quando Zhores Medvedev, um biólogo soviético exilado que viveu na Inglaterra, publicou uma série de artigos sobre o desastre na revista New Scientist. As alegações do biólogo foram corroboradas por um relato de Lev Tumerman, cientista soviético que no ano de 1960 viajou pela suposta área contaminada.

Confirmação oficial

De forma curiosa, os relatórios foram inicialmente vistos como nada mais que boatos aos olhos de boa parte da comunidade científica. Na ausência de informações concretas, muitos sequer acreditavam no relato de Medvedev. Embora a existência de uma vasta área contaminada tenha sido confirmada por um relatório elaborado por pesquisadores do Tennessee, não existiam quaisquer evidências concretas de que a contaminação havia sido causada por um acidente nuclear.

Após o colapso da União Soviética, a verdade veio à tona. O número real de mortos do desastre nunca foi de fato revelado, por é difícil avaliar, tanto por causa do sigilo quanto pelo fato de que as instalações de Mayak já haviam contaminado a área por meio da liberação rotineira de quantidades perigosas de rejeitos radioativos no meio ambiente por vários anos. De acordo com Zhores Medvedev, esse desastre foi pior do que Chernobyl por causa da liberação ainda maior de substância radioativa Estrôncio-90.

Casos de câncer, defeitos congênitos e diversos problemas de saúde continuam altos entre os habitantes da região até hoje. No entanto, por conta do sigilo, nunca surgiram os números concretos. O que existe atualmente são estimativas. Estima-se que 66 pessoas foram vítimas do acidente por causa da síndrome aguda da radiação e outras 22 apresentaram algum tipo de câncer ligado ao desastre.

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