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Entenda o porquê do ”chip da beleza” preocupar os médicos

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O padrão de beleza mudou bastante ao longo da história, mas o que não mudou foi o fato de as pessoas continuarem tentando alcançá-lo. Mesmo que, hoje em dia, a valorização da beleza natural seja absolutamente encorajada, existem aqueles que buscam um padrão para se encaixar.

Seja para chegar em uma meta desejada ou para melhorar alguma coisa em nós mesmos, todos queremos nos sentir mais bonitos. Sendo assim, cosméticos e tratamentos estéticos parecem estar sempre se desenvolvendo para conseguir suprir essa necessidade dos consumidores.

Uma dessas novidades é o chamado “chip da beleza”. Nos últimos anos, ele veio se difundindo no Brasil. O chip tem o tamanho de um palito de fósforo. Ele é feito de silicone e é implantado no corpo para liberar, de forma contínua, hormônios. Dentre eles, a gestrinona, esteroide com ações anabolizantes.

O resultado prometido pelo chip da beleza é que, através dos efeitos androgênicos do hormônio a pessoa emagrecerá, ganhará massa muscular e irá ter sua disposição física aumentada.

Chip da beleza

UOL

Contudo, não são apenas benefícios que o chamado “chip da beleza” pode trazer. Geralmente, as pessoas deixam de mencionar que ele não é regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que ele pode gerar efeitos colaterais bem graves.

Embora esse novo tratamento de beleza tenha suas contraindicações por ser subcutâneo com a gestrinona, os relatos médicos a respeito da implantação do “chip da beleza” têm crescido.

Por conta disso, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) se pronunciou a respeito desse implante de gestrinona.

“Nós somos cinco mil endocrinologistas no Brasil, tinha profissionais de todo o País mandando denúncias sobre o ‘chip da beleza’ para a gente”, disse Alexandre Hohl, presidente do Departamento de Endocrinologia Feminina, Andrologia e Transgeneridade da SBEM.

De acordo com ele, ofícios foram enviados para a Anvisa e para o Conselho Federal de Medicina (CFM) pedindo uma maior atenção com relação ao chip.

Uso

Área de mulher

Segundo Hohl, em um primeiro momento, o chip com gestrinona estava sendo injetado no corpo com a justificativa de tratar a endometriose. Esse é um distúrbio relacionado ao crescimento de tecidos do útero.

No entanto, de uns cinco anos para cá, começou a se ver um uso do chip para fins estéticos. Nesse sentido, a combinação dele com outros tipos de hormônios ficou mais intensa, e o nome “chip da beleza” veio durante esse processo.

“Quando se viu, estavam colocando todo tipo de anabolizante nos ‘chips’, principalmente com a justificativa de aumentar massa magra e diminuir massa gorda. Mas não há indicação médica para benefício estético. Pode dar acne, problemas no fígado, no coração, na mama, aumentar o colesterol e gerar uma série de outros efeitos”, ressalta Hohl.

Ademais, conforme os diagnósticos das consequências do “chip da beleza” ficaram mais intensos nos consultórios, Hohl disse que um movimento coletivo das entidades médicas começou.

Caso

A redação

Um dos casos de pessoas que colocaram o “chip da beleza” foi o da bancária e triatleta Roberta Mori, de 40 anos. Ela soube do chip no começo de 2021 quando estava procurando novas maneiras de melhorar sua performance no esporte.

Então, Roberta pagou cinco mil reais antecipadamente para fazer um tratamento com os chips que duraria 12 meses. Entretanto, pouco tempo depois que ele foi implantado, a mulher começou a ter complicações.

“Tive inchaço, meu corpo reteve líquido, deu tudo de ruim que poderia dar”, lembrou ela.

Hohl explica que hoje em dia os “chip da beleza” estão em um limbo. Isso porque não existem normas específicas que regulamentem seu uso no Brasil. “A SBEM quer normatizar, que existam regras, que determinem que o implante seja limitado só para determinados casos”, explicou.

A Anvisa disse em um comunicado que está a par de propagandas de implantes e que está tomando as “medidas necessárias para investigação e apuração dos fatos”.

Fonte: UOL

Imagens: UOL, Área de mulher, A redação

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