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Gaia: a cadela brasileira considerada “genial”

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Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Eötvös Loránd, em Budapeste, na Hungria, revelou que uma cadela brasileira foi considerada “genial”. A cadela Gaia, da raça border collie, faz parte de um grupo de poucos cães capazes de aprender os nomes de até 100 novos brinquedos. Para entrar no ranking, Gaia, de 2 anos, conseguiu memorizar os nomes de 37 objetos em apenas três meses.

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O grupo de cães “superdotados” é formado por Gaia (São Paulo), Max (Hungria), Nalani (Holanda), Squall (EUA), Whiskey (Noruega) e Rico (Espanha). O estudo realizado com os cachorros foi publicado na revista britânica “Royal Society Open Science”. 

Segundo a chefe da equipe de pesquisa, Claudia Fugazza, os pets puderam memorizar o nome de um brinquedo depois de ouvi-lo por apenas quatro vezes. Durante os testes, os animais aprenderam até 12 novos nomes a cada semana, sendo capaz de lembrá-los por dois meses, em média. Esta capacidade de aprendizagem é comparável à de bebês humanos no início de sua formação de vocabulário, por volta de 2 a 3 anos de idade.

Para a elaboração do estudo, realizado em 2020, foram instaladas câmeras nas casas dos donos dos animais. Dessa forma, os pesquisadores passaram a monitorar o dia a dia dos cachorros. Muitos pesquisadores acreditam que os border collies estão sintonizados com o aprendizado de nomes porque foram criados para pastorear ovelhas.

A relação da raça com o aprendizado e o pastoreio está na atenção especial aos assobios e dicas verbais dos pastores. Apesar disso, a pesquisa identificou outras raças com boa capacidade de memorização, como pastores alemães, pastores australianos e cães de raça mista.

“Faça o que eu faço”

Um outro experimento realizado dentro da mesma pesquisa indicou que os cães também podem memorizar comportamentos. Durante o experimento, os animais deveriam imitar ações inéditas realizadas pelos tutores, como subir em uma cadeira. A técnica usada foi a “faça o que eu faço”, ou seja, a ação deveria ser repetida ao ouvirem a palavra “faça”. 

O estudo observou que 94,1% dos cães foram capazes de repetir os movimentos quando solicitados. Enquanto isso, 58,8% copiaram seus tutores um minuto depois de aprenderem a ação e 5,3% conseguiram repetir a ação uma hora depois. Esse experimento foi realizado com um grupo de 17 cães e representa mais um indício da memorização canina. 

A respeito da duração das memórias, a pesquisa indicou que após longos intervalos os cães não repetiam os movimentos como faziam minutos após. No entanto, existem aqueles que reconhecem seus tutores mesmo se ficarem anos sem vê-los. Essa constatação abre brecha para discussões a respeito do cérebro canino, já que a memorização pode estar relacionada ao apego que o bichinho tem com o dono. 

O cérebro dos cachorros

O cérebro de um cachorro de porte médio costuma pesar cerca de 64 gramas. Segundo uma pesquisa conduzida pela Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, os cães possuem cerca de 530 milhões de neurônios corticais. Dessa forma, é possível compreender que os cães são inteligentes e podem desenvolver diversas habilidades, como a de memorização.

Existem diversos fatores que são considerados para classificar que os cachorros são inteligentes. Da mesma forma, existem cães propensos a desenvolverem habilidades diferentes e demonstrarem as variadas formas de inteligência.

Alguns são mais inteligentes quando o assunto é cuidar e vigiar, outros estão mais adaptados ao dia a dia em casa. O importante é entender que qualquer cão pode ser inteligente, em níveis diferentes. Tudo depende das tarefas que irá realizar e do processo de adaptação à rotina do tutor.

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Alguns cães aprendem com mais tranquilidade e são receptivos à nossa vontade, enquanto outros são mais intuitivos e têm sentidos superiores de visão e olfato. Mesmo que não tenham a capacidade de raciocínio como os humanos, os cães tentam ao máximo entender a comunicação humana. A partir da repetição de palavras, esses animais conseguem compreender determinadas coisas, como por exemplo, o nome de seu tutor ou o seu próprio nome. 

Palavras “desconhecidas”

Um outro estudo, realizado pela Universidade Emory, também nos Estados Unidos, indicou que a região auditiva do cérebro do cachorro tem maior atividade quando o tutor diz palavras que não são do seu “conhecimento”. Isso quer dizer que eles se esforçam o máximo possível para nos entender, embora nem sempre consigam. É um hábito que, inclusive, está diretamente associado à vontade que eles sentem de agradar os tutores.

Da mesma forma, eles podem distinguir diferentes ordens e são, inclusive, capazes de detectar quando nos sentimos tristes ou excitados. Isso porque, na grande maioria das vezes, os pets estão prestando atenção nos donos e, com isso, aprendem a entender as mudanças corporais ou até mesmo a entonação da voz.

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Emoções caninas

Um novo estudo, conduzido ao longo de dois anos pelo pesquisador Gregory Burns, investigou a capacidade emotiva dos cães. Em um editorial publicado pelo The New York Times, Burns afirmou que “a habilidade de sentir emoções positivas indica que cães tenham um nível de consciência comparável ao de uma criança. E essa habilidade nos sugere repensar a forma como os tratamos”.

Para afirmar isso, pesquisadores realizaram mapeamentos do cérebro de cães usando escâneres de ressonância magnética por imagem. No estudo, foi medida a atividade do núcleo caudado de cachorros enquanto estes percebiam um aceno de mão que lhes significava o recebimento posterior de um prêmio, como um alimento.

Os cães exibiram aumento na atividade dessa área do cérebro durante o experimento, revelando grande similaridade com a forma como esse processo ocorre em humanos, que também registram pico de atividade no núcleo caudado ao perceber a proximidade de emoções e coisas prazerosas, como comida e dinheiro. O caudado dos cães também se mostrou ativado ao sentir o cheiro de humanos familiares.

Antigos donos continuam sendo lembrados?

Apesar da constatação de que os cães têm memória e que estão sujeitos às emoções, não se sabe como funciona a lembrança desses animais em relação a antigos donos. Isso porque, caso o animal seja realocado de uma família para a outra, memórias e afetos serão criados com os novos tutores. Dessa forma, não há como saber se os pets “esquecem” antigos donos caso sejam adotados por novas pessoas, uma vez que nenhum estudo foi conduzido até hoje a respeito do tema.

Considerando que os cachorros registram lembranças e comportamentos de seus tutores, é possível considerar que eles se lembrem dessas pessoas por algum tempo. Mas, caso haja a “substituição” familiar, uma incógnita fica sem resposta acerca das lembranças caninas sobre donos anteriores. Vale ressaltar que mudanças rotineiras de ambientes ou famílias não são saudáveis para os pets, que passam por processos de adaptação.

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