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O homem que ficou 76 dias perdido no mar

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Em algum momento da sua vida, você já deve ter se perguntado sobre as formas de conseguir sobreviver em alto-mar. Um americano viveu isso na pele, no ano de 1982. Steven Callahan passou quase três meses perdido no mar.

Wikimedia Commons

O viajante (que na época tinha 29 anos) deixou as Ilhas Canárias, no Atlântico, sozinho em um barco a vela de seis metros, rumo ao Caribe. Tudo ia bem, até sentir “um forte estrondo na lateral do barco (provavelmente uma colisão com uma baleia)”, contou ele ao programa Witness History, da BBC. A colisão danificou a embarcação, apelidada de Napoleon Solo, que começou a ficar inundada.

Nadando pela cabine em plena escuridão, Steven encontrou um kit de emergência e um saco de dormir. “Subi ao convés, inflei o bote salva-vidas, coloquei-o no mar e entrei nele”, explicou. Entrar em alto-mar apenas com um bote salva-vidas não é, nem de longe, uma boa opção. No entanto, essa era a melhor possibilidade que ele tinha no momento.

Arquivo Pessoal

Caso Steven permanecesse na embarcação inicial, é provável que ele teria afundado junto com ela. Inflar um bote salva-vidas e deixar o veleiro foi um ato de coragem e que, mesmo arriscado, garantiu a sua sobrevivência. Por sorte, Steven entendia muito bem sobre a dinâmica dos barcos, o que contribuiu para sua sobrevivência. O viajante se formou em Filosofia, mas preferiu se graduar em Arquitetura Naval em seguida.

Ele era, de fato, um apaixonado por embarcações (e possuía tanto conhecimento sobre elas que já havia escrito artigos sobre o tema para diversos veículos de comunicação). Já em posse do bote, à deriva no meio do mar, suas chances estavam entre ser avistado por um navio ou conseguir chegar ao Caribe ou à América do Sul, lugares a mais de 3,2 mil quilômetros de distância. No entanto, os suprimentos de comida e água no kit de emergência durariam apenas alguns dias.

Com base em anos de experiência de situações de naufrágio, apesar de nunca ter passado por um, Callahan sabia que a primeira coisa a ser feita era desenvolver algum tipo de mecanismo para obter água e comida, visto que ambos eram muito escassos. No entanto, os alimentos encontrados (como peixes) eram consumidos completamente crus.

BBC

“No início, o principal desafio foi me manter aquecido, sobretudo à noite. Depois tem a sede. Você consegue viver até dez dias sem água, se tiver sorte. Chovia muito pouco. Eu dependia dos purificadores solares de água, que estavam no kit de emergência. Levou um bom tempo para aprender a usá-los, e produzir cerca de meio litro de água por dia”, explicou Steven.

Para sua alimentação, ele teve ajuda da ecologia que começou a se desenvolver em torno do bote. “Algas e cracas começaram a se prender nele, que atraíam peixes menores, que, por sua vez, atraíam peixes maiores. Por sorte, eu tinha conseguido recuperar do barco uma espingarda de arpão, praticamente um brinquedo. Foi só no 14º dia que eu consegui pegar um. Mas mesmo com os peixes, eu não estava ingerindo nutrientes suficientes. Perdi um terço do meu peso”, relatou o velejador.

As semanas foram passando e ele chegou a ver alguns navios a distância, mas não foi visto por nenhum deles. Steven chegou a utilizar sinalizadores para chamar atenção dos navegantes dos barcos maiores, mas nenhum surtiu efeito. No 43º dia, veio um desastre.

Arquivo Pessoal

“Um dourado-do-mar quebrou a haste do arpão, e, com a ponta, abriu um buraco do tamanho de uma boca [no bote]. A água começou a entrar. Eu estava com as mãos cheias de feridas. Passei dez dias fazendo remendos no buraco. Subitamente, me lembrei de um garfo de escoteiro que tinha guardado na minha bolsa. Com ele, consegui, finalmente, prender o remendo”, explicou.

De acordo com Steven, havia um tubarão bastante persistente, que circulou o bote por vários dias. Por sorte, ele conseguiu sair da rota do animal. No 76º dia, depois de várias semanas vagando sozinho no meio do mar, Steven avistou uma pequena ilha, cujo nome é Maria Galante, do arquipélago de Guadalupe, cercada por perigosos recifes. Foram os pássaros os responsáveis pelo salvamento do viajante.

Como os peixes atraíam muitos pássaros para o mar, pescadores mantiveram os olhares atentos para perceber em qual local havia mais presença de pássaros e, consequentemente, de peixes. Foi aí que avistaram o bote de Steven. O homem foi resgatado em grave estado de desnutrição e com diversos ferimentos causados pela água salgada do Oceano Atlântico.

Steven foi levado para um hospital na mesma tarde em que foi resgatado, e saiu no mesmo dia. Ao retornar aos Estados Unidos, escreveu um livro que se tornou um best-seller e ficou 36 semanas na lista dos mais vendidos do “The New York Times”. Além disso, o homem foi convidado pelo diretor Ang Lee, em 2011, para acompanhar o processo de criação da adaptação cinematográfica do filme “As Aventuras de Pi”.

Steven

North Yarmouth Academy

Steven Callahan foi chamado para servir como uma espécie de mentor para a autenticidade de uma vida de náufrago em alto-mar. À BBC, ele afirmou que pensa na sua viagem todo dia. “Sou bastante grato pela experiência… mas foi um inferno!”, completou.

Fonte: Aventuras na História

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