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O ''Monte Everest de lixo'' na Índia está tão alto que aviões precisam tomar cuidado com ele

POR Jesus Galvão    EM Ciência e Tecnologia      11/06/19 às 15h25

O aterro de Ghazipur, em Nova Delhi, na Índia, está crescendo em um ritmo surpreendente. Acredita-se que dentro de um ano, o monte de lixo supere a altura do Taj Mahal, um dos monumentos mais emblemáticos do país. Os habitantes locais apelidaram o lugar de 'Monte Everest'.

A fétida pilha expansiva de matéria já possui mais de 65 metros de altura e está crescendo cada dia mais. Até mesmo a Suprema Corte da Índia recentemente alertou que talvez se faça necessário a instalação de luzes de aviso para aeronaves no alto do grande monte de lixo.

O aterro de Ghazipur, quando foi aberto, em 1984, não planejava se tornar um grande monte de lixo. Em 2002, ao atingir cerca de 20 metros de altura, ele deveria ter sido fechado. No entanto, atualmente, cerca de 21 milhões de pessoas vivendo em Nova Delhi dependem desse monstro crescente de lixo e de outros dois aterros. Esse dois outros aterros atingiriam sua capacidade máxima há pelo menos uma década.

O aterro de Ghazipur

"Cerca de 2 mil toneladas de lixo são despejadas em Ghazipur todos os dias", disse uma autoridade municipal de Nova Delhi, sob condição de anonimato ao portal Phys.org. O que equivale a cerca de 10 metros de crescimento por ano. Entretanto, não é somente o acúmulo de lixo o grande problema do aterro, mas, também, os riscos que isso envolve. Por diversas vezes, a East Delhi Municipal Corporation (EDMC) tentou fechar o local, mas acabou não conseguindo.

Em 2018, duas pessoas que trabalhavam no aterro foram mortas depois de um deslizamento de terra. Uma parte da montanha desabou devido às fortes chuvas. As mortes provocaram o fechamento temporário do espaço. Durante esse período, o lugar passou por uma análise de reabilitação de aterros sanitários pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos.

"As práticas de disposição de resíduos não são bem controladas, o que levou à formação de encostas íngremes e instáveis", escreveu a entidade em um relatório. "Incêndios subsuperficiais, emissões de fumaça da superfície do lixo, resíduos de coleta de lixo e recicladores de lixo do setor informal foram observados durante a visita ao local em novembro de 2017".

As conclusões da análise foram bastante simples: o desprezo de resíduos no topo do aterro deveria cessar imediatamente e o EDMC deveria fechar Ghazipur. Transferindo as operações, realizadas no local, para um novo aterro o mais rápido possível. No entanto, o fechamento não durou muito, e o local continuou a funcionar da mesma maneira que antes.

Consequências

A montanha de dejetos continua a crescer e os riscos para a população são múltiplos. Por se tratar de lixo descompactado e exposto, há a estimulação a decomposição aeróbica, o que gera calor e metano. O que pode acarretar em focos de incêndio, desestabilizando ainda mais toda a estrutura. As análises ainda mostraram uma quebra de tensão de aproximadamente 1,5 metro de largura, indicando possíveis falhas na inclinação.

O aterro de Ghazipur não possui absolutamente nenhum sistema de revestimento, sendo todo o lixo despejado diretamente no chão. O descarte produz um material chamado lixiviado, e sem uma forma de coletá-lo, tudo acaba indo parar em um canal local. "Tudo precisa ser interrompido, já que o despejo contínuo poluiu severamente o ar e a água subterrânea", disse Chitra Mukherjee, chefe do Chintan, um grupo de defesa do meio ambiente.

Alguns moradores do leste de Nova Delhi informaram as dificuldades de se morar próximo ao aterro. Segundo eles, o cheiro é tão forte que torna a respiração quase impossível. De acordo com relatos médicos, cerca de 70 pessoas por dia são atendidas devido à doenças respiratórias e estomacais causadas pela poluição. A maioria deles sendo bebês e crianças. Entre 2013 e 2017, estima-se que 981 pessoas morreram por infecção respiratória aguda.

A Índia é um dos maiores produtores de lixo do mundo. O país, inclusive, está enfrentando uma crise de desperdício. Caso algo não seja feito muito em breve, o aterro de Ghazipur e os outros dois similares podem se tornar grandes demais para serem limpos.

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Jesus Galvão
Goiano, Canceriano e Publicitário.
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