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Rochas mostram vácuo de 1 bilhão de anos na história geológica da Terra

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Você consegue entender toda uma história lendo só o começo e o fim dela? É provável que não. Sem dúvidas, o meio do enredo é muito importante para a compreensão da narrativa. Todavia, os geólogos não têm acesso a esse desenvolvimento completo da história quando o assunto são as rochas.

Isso se deve à Grande Inconformidade, um período de 1 bilhão de anos que não deixou registros geológicos. Sendo assim, o geólogo encontrará um impasse ao estudar o passado das formações rochosas com base nas camadas de sedimentos. Afinal, há uma lacuna de 1 bilhão de anos que não deixou registros nessa linha do tempo. Nesse post, explicaremos melhor esse mistério e quais são as principais hipóteses que explicam essa ocorrência.

Fonte: Pixabay

A Grande Inconformidade

De início, precisamos lembrar como as rochas se formam. Em síntese, as regiões mais baixas do relevo tendem a receber sedimentos de formações rochosas mais altas, processo que tem a ajuda da água e do vento. Dessa forma, os resíduos se juntam e formam outras pedras, já que há uma pressão vinda de cima por outros fragmentos que fazem todo esse material se compactar.

No entanto, esse processo não é imediato, ele dura bilhões de anos. Logo, ao olhar para uma rocha, é possível ver que ela foi feita em camadas, as quais costumam ser diferentes umas das outras. Sem dúvidas, isso é um prato cheio para a Geologia, pois os cientistas dessa área conseguem ver como a Terra era em cada tempo geológico com base nessas divisórias que as pedras apresentam.

O problema é que nessa linha temporal temos um período de 1 bilhão de anos que não deixou uma camada de “lembranças” na estratificação das rochas. Por isso, os cientistas têm dificuldade em traçar como o planeta era dentro desse enorme intervalo.

Quem percebeu essa falha foi o geólogo John Wesley Powell, em 1869, durante expedição no Grand Canyon (EUA). Na ocasião, ele percebeu que algumas rochas eram antigas demais e outras eram recentes também em demasia. Logo, o cientista concluiu que havia um vácuo temporal entre as formações dessas duas camadas.

Fonte: Pixabay

A propósito, a geóloga Barra Peak, em entrevista à BBC News Mundo, dá uma dimensão do tamanho desse prejuízo: “um bilhão de anos é quase um quarto da história da Terra, é muita informação perdida, muito tempo perdido”, afirma a doutoranda em Ciências Geológicas pela Universidade do Colorado Boulder, e especialista na Grande Inconformidade.

Onde estão as rochas perdidas?

Conforme já dito, os sedimentos se compactam com a pressão de cima vinda de outros fragmentos. Porém, pode acontecer daquela rocha em formação ser erodida antes dessa força externa chegar. Logo, os sedimentos não se unem e acabam sendo espalhados pelo espaço.

Por outro lado, a geóloga Barra Peak também conta com a possibilidade de, na verdade, esses fragmentos nunca terem sido depositados. “Pode ser que naqueles lugares nunca tenha se depositado areia ou argila que mais tarde se transformou em rocha, que não estivesse realmente acontecendo nada naquela paisagem, como se ela estivesse simplesmente ali parada há muito tempo”, explica a cientista.

Nesse sentido, há três hipóteses que justificam esse material perdido. Em primeiro lugar, tem quem acredite que a perda se deu durante a formação do supercontinente Rodínia, antes da Pangeia. Por conta dos movimentos tectônicos, rochas em formação podem ter ficado expostas à atmosfera, e consequentemente, às chuvas e aos ventos. Da mesma forma, tem quem creia que, durante a fragmentação deste supercontinente, os acumulados de sedimentos também ficaram vulneráveis. Esta é a segunda teoria.

Fonte: Cósmica Poeira

Enfim chegamos à tese que tem mais respaldo: a do clima. Durante o período da Grande Inconformidade, o planeta passou por intensos resfriamentos. Logo, é de se esperar que todo o globo estivesse coberto de gelo, o que bloqueia o depósito de novos materiais para a formação das rochas.

Sede por soluções

Sem dúvidas, a comunidade científica está ávida por saber o que se passava na construção geológica da Terra durante esses 1 bilhão de anos. Além disso, biólogos também demonstram grande interesse na resolução deste mistério, tendo em vista que ele auxilia na compreensão da evolução da vida na Terra.

Vale lembrar que foi nessa época que ocorreu um súbito surgimento de vida complexa, o qual abrangeu os períodos Ediacarano (635 milhões de anos – 541 milhões de anos atrás) e Cambriano (541 milhões de anos – 485 milhões de anos atrás). Os estudos de Charles Darwin não conseguiram alcançar uma resposta a esse fenômeno de abrupta geração de espécies complexas. Por isso, a compreensão da Grande Inconformidade pode acrescentar uma camada de entendimento a essa incógnita.

Fonte: UOL.

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