Em 21 de agosto de 1986, os moradores de um vilarejo em Camarões acordaram e se depararam com a imagem de muitos de seus vizinhos e animais de estimação ou criação, como gado, mortos. Mais tarde descobriu-se que o número de pessoas mortas era de cerca de 1.716.

Além das pessoas, cerca de 3,5 mil cabeças de gado foram perdidas neste dia. A causa das mortes foram os gases tóxicos vindos de um lago vulcânico nos arredores que foram inalados. O lago Nyos, responsável pelas mortes, fica próximo da fronteira da Camarões com a Nigéria. O presidente do país, até solicitou ajuda internacional por tamanha gravidade da situação.

As investigações

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Após o ocorrido, começaram as investigações para entender o que de fato aconteceu. Especialistas de diversas partes do mundo não mensuraram esforços. O médico britânico Peter Baxter só chegou ao local da tragédia após duas semanas do incidente e os horrores eram visíveis por toda parte da região afetada.

"Ainda tinham corpos de pessoas e bichos espalhados pelas colinas. Quando chegamos no povoado de Nyos, que tinha pequenas casas de barro, o silêncio era total, não havia sinais de vida", contou Baxter em entrevista à BBC. Ainda segundo o médico, as plantas ao redor do lago e os peixes mortos sobre suas águas deixavam tudo ainda mais medonho.

Evidências físicas estavam indicando que uma onda de cerca de 40 metros tinha se formado por alguma mudança que aconteceu no fundo lago. Mas nada que fizesse sentido para os cientistas devido a tamanha destruição e tão poucos rastros. E o que teria feito os moradores da região e os animais que estavam longe dali morrerem ainda, continuava sem respostas.

Algumas informações davam notícia de uma erupção vulcânica que havia ocorrido e de gases vulcânicos que teriam sido liberados. Mas ainda assim, segundo os pesquisadores que estavam na região, as coisas não se encaixavam. Somente depois de coletar informações com os moradores locais é que eles se atentaram ao culpado de toda a situação: dióxido de carbono.

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A causa

Milhares de toneladas do gás teriam sido liberados no fundo do lago pelo vulcão. "Era muito difícil entender essas descobertas. Até que achamos documentos antigos que falavam sobre pilotos de combate que haviam sido expostos a uma alta concentração de CO2. O gás, em concentração de 5% a 10%, age como um alucinógeno", contou o professor Kling da Universidade de Michigan.

Ao que parece, o CO2 ficou em formação no fundo do lago por muitos anos. Até que devido a pressão, eles foram liberados. Segundo cientistas, o mesmo acontece quando agitamos uma garrafa de champanhe e depois retiramos a rolha."Sobreviver ou morrer devido à exposição ao gás foi caso de sorte ou azar", disse Baxter.

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"O gás te deixa inconsciente rapidamente, e os que sobreviveram sentiram que ficaram inconscientes por muito tempo, mais de 10 horas, até voltarem a si, literalmente até que o gás tivesse dissipado, quando iniciava o dia e o sol começava a aquecer a terra. Mas é uma situação muito incomum, uma história realmente extraordinária", completou o britânico.

As causas certas para o liberação dos gases no fundo do lago não são certas, mas segundo o que acreditam os pesquisadores, um deslizamento de terra no fundo do lago poderia ter sido o estopim para que tudo ocorresse. O Nyos ainda é um perigo para os moradores da região, mesmo após 30 anos do ocorrido. Porém, um sistema para dispersão do gás foi desenvolvido, caso algo do tipo aconteça novamente.

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Publicado em: 04/09/18 17h20