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Vírus provoca mudança de comportamento nos ursos da Califórnia, EUA

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Até onde se sabe, os ursos que habitam algumas regiões da Califórnia sempre foram tímidos ao notarem a presença de seres humanos. No entanto, uma recente reportagem, publicada pelo portal All That is Interesting, revelou que os animais, nos últimos anos, apresentaram uma mudança drástica em relação a tal comportamento.

Conforme aponta a cobertura realizada pelo portal, uma nova doença está fazendo com que os ursos-negros da Califórnia adotem comportamentos similares ao de um cão quando avistam qualquer ser humano. Por conta desta mudança de comportamento, os cientistas estadunidenses pedem para as pessoas não se aproximarem dos animais – não importa o quão amigáveis pareçam – pois a enfermidade ainda é desconhecida.

O novo comportamento dos ursos

O Departamento de Pesca e Vida Selvagem da Califórnia (CDFW) notou a mudança de comportamento pela primeira vez em 2014. À data, os membros que trabalham no órgão em questão foram alertados por integrantes do Departamento de Vida Selvagem de Nevada sobre uma série de encontros em torno da Bacia de Tahoe com ursos jovens, que pareciam ter problemas neurológicos.

Por conta do estranho comportamento, as autoridades competentes começaram a analisar a situação mais a fundo. Nesse ínterim, uma equipe de cientistas estadunidenses descobriram que os ursos estavam sendo alvo da encefalite – em poucas palavras, uma inflamação no cérebro. Baterias de exames revelaram também a presença de cinco vírus nunca antes vistos, mas até o momento não está claro se os novos vírus são a causa raiz da doença que está assolando os animais em questão.

Além de mudar o comportamento – como dissemos no início da matéria, os ursos que habitam certas regiões da Califórnia, normalmente, são tímidos quando notam a presença de seres humanos, mas os ursos afetados agem de forma diferente, parecem mais amigáveis que um animal de estimação -, a doença provoca uma certa letargia, perda dramática de peso, uma inclinação distinta da cabeça, tremores e uma marcha incomum.

Casos

Em 2019, um dos ursos ganhou notoriedade nas redes sociais depois que alguém filmou o animal interagindo com um dos hóspedes do resort de esqui Northstar. Mais recentemente, em fevereiro de 2021, outro urso, mas desta vez em Pollock Pines, foi flagrado em uma propriedade privada. O animal, que parecia letárgico, estava tranquilo em meio às pessoas da residência que se encontrava. Os moradores, por conta da afinidade estabelecida em pouco tempo, começaram a alimentá-lo com morangos e maçãs – ações que vão contra as diretrizes do CDFW. Até certa altura, o urso até se enfiou no porta-malas do carro que havia na propriedade e permitiu que as pessoas o acariciassem.

O CDFW desencoraja esse tipo de interação com animais selvagens, principalmente com os ursos. “Neste ponto, não sabemos o que causa a encefalite”, observou o veterinário do CDFW, Brandon Munk. “Portanto, não sabemos quais riscos à saúde esses ursos podem representar para outros animais, bem como para as pessoas”.

O urso que foi encontrado em Pollock Pines foi resgatado por funcionários do CDFW. Os membros que trabalharam no resgate observaram que o urso era muito jovem para sair sozinho. “Em síntese, o animal simplesmente não parecia muito certo, andava de maneira estranha, maçante e não respondia de forma normal”, pontuou um porta-voz do CDFW.

Cuidados

No laboratório do CDFW, os veterinários do departamento descobriram que o urso – uma fêmea – estava repleto de carrapatos e pesava pouco mais de 10 quilos – um urso saudável com a mesma idade deveria pesar cerca de 36 quilos. Os veterinários também observaram tremores intermitentes na cabeça.

Ao todo, o CDFW recebeu em 12 meses três ursos com os mesmos sintomas. “Sempre que um animal selvagem chega aos nossos cuidados, o liberamos de volta à natureza após realizar os procedimentos necessários”, disse Munk. “Mas nao podemos fazer isso com esses ursos”.

O urso de Pollock Pines, infelizmente, teve que ser sacrificado. Por enquanto, os cientistas continuam tentando entender a causa raiz da doença misteriosa. Os pesquisadores, até o momento, determinaram que os cinco vírus até então desconhecidos afetam o fígado e o baço dos ursos, bem como seus cérebros.

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