
Construído embaixo de um trecho do Muro de Berlim, um túnel de fuga subterrâneo foi aberto, na última semana, para visitação na capital alemã. A passagem subterrânea foi construída na década de 1970, por berlinenses, a partir do lado ocidental. Esse é o primeiro túnel deste tipo aberto à visitação na cidade.
A inauguração do túnel faz parte das comemorações dos 30 anos da queda da barreira que dividiu, por 28 anos, a capital alemã. Para ilustrar o evento, o visitantes podem usufruir de uma exposição que relembra a construção do muro e de outros túneis de fuga.
O túnel está localizado próximo ao maior memorial do muro de Berlim, na rua Bernauer, cujo acesso, hoje, é por meio de um prédio na Bermauer Strasse. O edifício está entre os bairros de Gesundbrunnen e Mitte. Através de duas janelas a 7,5 metros de profundidade, os visitantes podem observar o túnel.
O local foi inaugurado pelo prefeito de Berlim, Michael Müller. Durante a ocasião, em seu discurso de abertura, o prefeito agradeceu aos seus construtores. “É ótimo ver que a batalha pela liberdade também foi à clandestinidade. É possível experimentar autenticamente e a coragem das mulheres e homens que tentaram levar as pessoas à liberdade e resistiram ao regime da Alemanha Oriental”, disse.
A obra improvisada de 100 metros foi construída, após a fronteira entre as duas Alemanhas ser selada pelo regime comunista. A passagem foi descoberta por autoridades da parte oriental de Berlim, com o uso de tecnologia ultrassom. O local foi revelado poucos dias antes de sua conclusão.
De acordo com a associação Berliner Unterwelten, que realiza passeios turísticos nos bunkers e túneis históricos da capital em Berlim, mais de 70 túneis foram construídos debaixo do muro de 156,4 quilômetros de extensão. A maioria dos túneis, nesse ínterim, foi escavada a partir do leste da capital. Tais passagens, segundo a associação, permitiram a fuga de cerca de 300 pessoas.
Acredita-se que a região da rua Bernauer era um dos locais mais visados para as tais construções subterrâneas. O motivo, supostamente, envolve o fato do solo ser argiloso. Além do túnel recém inaugurado, outros sete túneis foram construídos sob o muro. As passagens estão distribuídas em um trecho de 350 metros.
Dos túneis construídos, alguns entraram em colapso antes mesmo de serem utilizados. Já outros foram descobertos pela Stasi, a polícia secreta da Alemanha Oriental. Por serem extremamente estreitos, as pessoas, que estiverem envolvidas nas construções das passagens, tinham caminhar agachadas.
Muitas das passagens começaram a ser escavadas no porão de um edifício no lado ocidental. Os túneis terminam em outro prédio, localizado no lado oriental. Entre os que conseguiram fugir para Berlim Ocidental, encontra-se Ulrich Pfeifer. Pfeifer é engenheiro civil e participou da construção do túnel original. O engenheiro conseguiu fugir através do esgoto, poucas semanas após o muro ser erguido, em agosto de 1961.
De acordo com informações disponibilizadas pela imprensa, Pfeifer foi o responsável por criar as plantas para a construção da rota de fuga subterrânea.
“Como berlinense, esse muro era algo inconcebível” disse Pfeifer, hoje, com 84 anos. “Separava famílias. Dividia todos nós.” Pfeifer atribui a determinação da construção do túnel à condenação de sua namorada, que recebeu pena de sete anos de prisão. “Ela tinha 22 anos e foi condenada por uma mera tentativa de fuga”, contou
Estima-se que cerca de 140 pessoas morreram tentando fugir de Berlim Oriental. Entretanto, até hoje, não se sabe ao certo quantos morreram tentando atravessar os diversos túneis subterrâneos.
Em 1961, com a construção do Muro de Berlim, os comunistas bloquearam completamente o acesso à Berlim Ocidental. Na época, Berlim Ocidental era uma “ilha”capitalista e estava localizada em meio ao território soviético.
Por ser uma capital cuja população ultrapassava mais de 3 milhões de pessoas, o sistema de transportes era extremamente bem desenvolvido. Antes mesmo da divisão do país ocorrer, já havia linhas de metrô e trem que passavam pelos dois setores: Berlim Ocidental e Berlim Oriental.
Com a divisão, ou melhor, com a construção do Muro de Berlim, era preciso evitar que essas linhas cruzassem os dois setores. Por isso, os comunistas resolveram bloquear as estações das linhas, que cruzavam seu território. A linha U-Bahn, de metrô, e a linha S-Bahn, de trem, foram, então, desativadas.
Ambos os trajetos permaneceram bloqueados por mais de 30 anos, tornando-se, assim, “estações fantasmas”. As estações fantasmas no metrô de Berlim, hoje, tornaram-se, então, uma das evidências mais curiosas da divisão da cidade, durante o período da Guerra Fria.





