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Americana cega e surda aprendeu a falar e se formou na faculdade

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Não é novidade pra ninguém dizer que há algum tempo, as mulheres praticamente não tinham direitos. A visão machista que imperava no mundo desde os tempos primórdios fez com que a mulher fosse encarada apenas como um objeto, que deveria cuidar da casa e satisfazer ao marido. Felizmente, o levante feminino aconteceu e, não se engane, não é recente. Várias mulheres estão na luta e tomam frente para ganharem voz, como é o caso dessa americana.

A americana, que esse ano completaria 142 anos, é a surda e cega mais famosa do mundo. Hellen Keller é um caso de superação que está imortalizado na cultura americana. Além disso, ela é um grande exemplo para as mulheres e todas as pessoas das gerações mais novas.

Americana

Tatiane Castro

Ela nasceu em junho de 1880, em Tuscumbia, no Estado americano do Alabama. Por conta de uma virose, a americana perdeu sua audição e visão, quando tinha menos de dois anos. Na época, os médicos não conseguiram explicar as causas, mas se suspeita de que Hellen tenha tido febre escarlatina ou meningite.

Depois dessa perda, a menina se comunicava com seus pais através de gestos. Assim, tentando diminuir o isolamento da filha, Kate Adams a levou em um médico que recomendou os serviços de Alexander Graham-Bell, o inventor do telefone, que trabalhava com crianças surdas.

A mãe de Hellen ouviu o médico e foi até Graham-Bell, que recomendou que ela fosse ao Instituto Perkins para Cegos, em Massachussetts. Nesse lugar, Hellen conheceu Anne Sullivan, uma ex-aluna transformada em professora. Então, durante 49 anos ela seria uma companheira fiel de Hellen.

Aprendizado

Facebook

A amizade com Anne transformou a vida de Hellen. Em abril de 1887, ela conseguiu com que Hellen entendesse a relação entre palavras e objetos. Depois de quatro meses, a menina já conhecia 625 palavras. Aos 10, ela dominava tanto o braille quanto o alfabeto dos surdos.

Em 1890, Hellen pediu a sua professora para aprender a falar. Por conta disso, ela foi matriculada no Institute Horace Mann para surdos, em Boston, e depois na Escola Wright-Humason Oral School, em Nova York. Nessa última, a americana teve aulas de linguagem falada e de leitura labial.

Além disso, Hellen também desenvolveu uma forma de “ouvir” o que as pessoas estavam lhe dizendo. Ela colocava os dedos sobre os lábios da pessoa que estava falando e fazia leitura labial.

O desenvolvimento da americana foi surpreendente. Tanto que, seis anos depois ela já se expressava suficientemente bem para frequentar escolas comuns e até mesmo o Radcliffe College, instituição de ensino superior “irmã” da Universidade de Harvard. Em 1904, com 24 anos, ela se formou em Belas-Artes.

Vida

Distractify

Durante sua vida, a americana começou uma rotina de campanha ela melhoria nas condições de vida para pessoas com deficiências visuais e auditivas. Hellen fazia isso sempre acompanhada de Anne.

Com isso, em 1915 ela fundou um instituto com seu nome, que desenvolvia programas de prevenção para doenças oculares ao redor do mundo. Em sua vida, Hellen viajou por, pelo menos, 25 países para dar palestras e conhecer líderes mundiais. Apenas nos EUA, ela conheceu 12 presidentes.

Como se isso não bastasse, a americana também lutava por causas mais universais. Tanto que ela foi uma famosa sufragista, defensora do direito feminino ao voto, pacifista e socialista convicta.

Entretanto, as posições dela fizeram com que fosse considerada uma radical. Como resultado, a americana era alvo de críticas por parte dos setores mais conservadores da sociedade americana.

Marco na história

Slate

A vida de Hellen não foi fácil. Em 1961 ela teve vários derrames. Isso fez com que se afastasse da vida pública em seus últimos anos de vida. Mesmo assim, ela ainda recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade, uma das mais altas condecorações civis dos EUA, do então presidente Lyndon Johnson, em 1964.

A americana morreu depois de quatro anos, em 1968. O corpo dela foi cremado, e as cinzas depositadas na Catedral de Washington, ao lado de onde jazem as de Anne.

Embora tenha sido bastante criticada, Hellen Keller deixou sua marca na história, e a trajetória da sua vida é parte do currículo escolar dos EUA. Além disso, a americana também teve reconhecimento internacional, expressado no fato de haver ruas com seu nome em Portugal, França, Suíça e Israel. No Brasil, também temos uma rua em sua homenagem no bairro da Vila Mariana, em São Paulo.

Fonte: BBC

Imagens: Tatiane Castro, Slate, Distractify, Facebook

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