Curiosidades

Anne Greene: a mulher imortal

Pintura Van Gogh
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Já viu uma história de imortalidade? Um caso que pode ser considerado ao mesmo tempo impressionante e bizarro aconteceu em Oxford, na Inglaterra, em 1650. Como você provavelmente bem sabe, algumas coisas que hoje podem parecer apenas tristes e inoportunas, naquela época eram consideradas crimes.

Para nossa sorte, o sistema penal mudou bastante nos últimos séculos. Dessa forma, a jovem Anne Greene, de apenas 22 anos, foi condenada à forca após esconder que estava grávida e sofrer um aborto espontâneo. Ao esconder a gravidez e a consequente perda do bebê, ela acabou cometendo o crime de infanticídio, mesmo que não tenha feito nada de errado. 

Ela com certeza não tinha a sorte do seu lado, já que seu bebê era filho do neto de um importante lorde inglês, que não queria que a história se espalhasse pela cidade. Então, temos uma pobre garota e um lorde poderoso, mas o final feliz só existe em filmes infantis mesmo. Sendo assim, na vida real, a forca era tudo que a aguardava. 

Anne Greene era uma jovem inglesa que foi contratada pelo Senhor Thomas Read. A história conta que ela foi seduzida e engravidada pelo neto do lorde, de apenas 16 anos, Jeffrey, mas, como podemos deduzir, pode ser que esse relacionamento não fosse exatamente consensual. Seis meses depois, ela iniciou um trabalho de parto enquanto misturava um tonel de malte e, pouco depois, sofreu um aborto espontâneo. Morrendo de medo, a funcionária enterrou o feto, que acabou sendo descoberto e reportado ao lorde. 

O julgamento

Em dezembro de 1650, ela foi levada ao tribunal por infanticídio e, apesar da falta de evidências, ela foi condenada à morte. O enforcamento aconteceu no dia 14 de dezembro de 1650 e, como muitos enforcamentos da época, esse não ocorreu como deveria.

Após o ato ser consumado, Anne ainda ficou pendurada por trinta minutos, com simpatizantes e colegas tentando por tudo diminuir a sua dor, ou seja, tentando matá-la mais rapidamente, para que ela não sofresse tanto. Alguns tentavam bater em seu peito enquanto outros se penduravam em suas pernas para aumentar o peso como ato de misericórdia. O xerife responsável proibiu eles, temendo que a corda arrebentasse.

Naquela época, era natural que os executados fossem dissecados e estudados na escola de medicina de Oxford, sendo assim, essa seria a próxima parada de Anne. O corpo foi levado para o cirurgião e pesquisador anatômico William Petty logo após a declaração da morte. Mas, algo extremamente surpreendente aconteceu.

Quando o caixão foi aberto, um homem ficou por perto para observar. Então, ele viu que ela parecia ainda respirar e, como você já deve ter percebido, ele também achou melhor fazer o possível para encerrar a vida triste que a moça teve, pisando em seu abdômen com toda força. 

Ressurreição de Anne Greene

Logo depois, o Dr. William Petty e o Dr. Thomas Willis perceberam que a vida não havia saído por completo da garota. Eles a sentaram, forçando sua boca a abrir para que pudessem a examinar. 

A partir daquele momento, ela foi cuidada pelos dois, para que a vida e o calor fluíssem de volta para seu corpo. A parte de fato milagrosa foi a rapidez com que ela se recuperou, sendo capaz de falar em doze horas e em um dia já estava mantendo uma conversa. Isso é praticamente impossível para uma pessoa que teve sua garganta horrivelmente machucada. Em alguns dias, ela conseguiu até mesmo comer frango! 

O retorno de sua memória foi outra surpresa. Isso porque, apesar das preocupações dos médicos, ela se lembrava até mesmo do carrasco colocando o cobertor sobre sua cabeça. Sendo assim, a falta de oxigenação não foi capaz de causar um desmaio completo, nem as sucessivas tentativas de adiantar sua morte. 

Ela acabou sendo perdoada pelo xerife de Oxford, com base na intervenção da providência divina. Isso foi possível principalmente porque o responsável pela acusação, Senhor Thomas Read, faleceu três dias depois da suposta morte de Anne Greene.

A vida de Anne Greene

Sendo assim, Anne pôde viver uma vida relativamente normal, se é possível usar essa palavra nesse caso. Quem conseguiria passar por tantas tentativas de morte, uma após a outra, e voltar ao normal? 

Logo, a história de Anne Greene é realmente surpreendente. Isso porque além de sobreviver a tudo isso, ela conseguiu voltar a morar no campo, se apaixonar e se casar. Além disso, conseguiu ter três filhos.

Enquanto isso, William Petty e Thomas Willis ficaram famosos por seu milagre médico. No final, a causa da morte, dessa vez definitiva, foi provavelmente em trabalho de parto, em 1665, quando ela tinha cerca de 37 anos. Com certeza olharam várias vezes para ter certeza!

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