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Camada de gordura é colocada em carne de laboratório para ficar mais suculenta

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Comer está entre os maiores prazeres da vida de uma pessoa. Mas acontece que as tendências futuras são um tanto quanto problemáticas, tendo em vista que a superpopulação irá tornar todos os recursos já existentes limitados. Então, para atender a maior demanda que teremos no futuro, precisaremos reinventar tudo o que temos hoje, inclusive de onde vem a carne.

Por conta disso é que cada vez mais carnes estão sendo produzidas em laboratórios. Contudo, para que esse tipo de alimento se torne um sucesso comercial, é preciso superar vários desafios, como por exemplo, encontrar uma receita ideal e a segurança desse alimento.

Além desses pontos, talvez o principal seja o sabor, que na versão original da carne é bastante ligado com a gordura. Pensando nisso, os pesquisadores da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, começaram a procurar maneiras de criar e adicionar uma camada de gordura nos alimentos feitos em laboratório.

De acordo com a revista científica eLife, os pesquisadores conseguiram criar um tipo de tecido adiposo com a composição e textura parecidos com a gordura natural. Contudo, mesmo com os resultados positivos e abertura de novos caminhos para essa indústria de carne de laboratório, o sabor dessa gordura não é o mesmo. Por conta disso, ela tem que ser enriquecida de forma artificial.

“Continuamos a revisar todos os aspectos da produção de carne cultivada com o objetivo de permitir a produção, em massa, de carne com aparência, sabor e sensação de carne real”, disse David Kaplan, autor sênior do estudo e professor de engenharia biomédica da universidade.

Gordura de laboratório

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Talvez mais do que a carne, produzir gordura em laboratório tem grandes dificuldades. Isso porque de acordo com o crescimento das células e da multiplicação em forma de bloco, as que estão no meio acabam ficando sem oxigênio e nutrientes. Como resultado, elas morrem. Esse processo é diferente na natureza, já que os vasos sanguíneos e capilares fazem a alimentação de todas as células do tecido.

Com a tecnologia disponível hoje, os pesquisadores não conseguem recriar esse processo em laboratório. O que se pode fazer hoje em dia é criar poucos milímetros de gordura e músculo.

Sabendo disso, os pesquisadores começaram a procurar novos processos e cultivaram o tecido adiposo de suínos e roedores em camadas bidimensionais e planas. Depois disso, eles usaram um tipo de aglutinante para conseguirem dar uma forma tridimensional. O próximo passo que eles querem é adicionar essa gordura em uma carne também feita em laboratório.

Mesmo que visualmente ela consiga se parecer com a gordura natural, o problema é o sabor. E nesse caso, o sabor conhecido vem dos lipídios e ácidos graxos específicos do tecido animal. Mesmo assim, talvez seria possível dar às células de gordura que estão crescendo mais lipídios para que elas tenham um sabor como a da natural.

Carne de laboratório

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carne feita a partir de plantas ou células de animais, sem precisar matar nenhum bicho, é uma novidade que tem grande potencial para mudar completamente a indústria alimentícia.

Até o momento, essas indústrias, que fazem carnes, baseadas em plantas que são cultivadas em laboratório, tentam imitar o gosto das procedências comuns da maioria dos carnes, como por exemplo aves, carne bovina e suína. Mas de acordo com Patrick Brown, CEO da Impossible Foods, isso pode mudar.

O CEO disse, em uma entrevista, que ele vê que existem muitas possibilidades para serem experimentadas. Conforme a técnica de carne à base de plantas vai melhorando, ela dá ao mercado a possibilidade de ter uma variedade de carnes de cortes impossíveis que nunca pensaríamos em comer, ou até mesmo, tipos novos de carne.

O que Brown sugeriu é que os cortes de carnes que comemos hoje e de quais animais eles vêm pode estar baseado no que foi historicamente conveniente. E o que ele sugere é “por que não tentar uma coisa diferente?”.

“Podemos criar coisas que seriam inconfundivelmente carne, sabor e textura, mas diferente de tudo que você já teve nessa categoria. Porque, afinal, as opções de carne que estão disponíveis no mundo hoje são basicamente um artefato histórico das espécies que as pessoas foram capazes de domesticar 10.000 anos atrás. E eles não foram escolhidos porque eram os animais mais deliciosos do mundo. Eles foram escolhidos porque eram capazes de serem domesticados”, disse.

Fonte: Canaltech

Imagens: Canaltech

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