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Conheça Hildegard de Bingen, a santa que descreveu o orgasmo feminino

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Hildegard de Bingen foi a primeira mulher a descrever o orgasmo feminino, em 1151. Ela era uma freira beneditina do Sacro Império Romano. Hildegard era filha de uma família nobre de origem alemã e por isso seu destino foi determinado por seus pais. 

Vale destacar que, naquela época, essa era a melhor forma de mulheres de classe alta terem tempo e meios para desenvolver o pensamento.

Apesar de Hildegard ter passado a maioria de seus mais de 80 anos de vida trancada em mosteiros, ela se tornou uma mulher renascentista antes do Renascimento. Seu trabalho foi desde campos do espiritual até cosmologia, medicina, biologia e botânica. 

Na época em que as vozes das mulheres não podiam ser ouvidas, ela compôs obras musicais inovadoras, redescobertas em 1979, 800 anos depois da sua morte, e que hoje são famosas.

No século XII, quando as diretrizes da Igreja reservavam um papel subordinado ao seu gênero, Hildegard de Bingen criou os seus próprios mosteiros, mas pregou fora deles, com a permissão do Papa, algo inédito. Além disso, ela interpretou a Bíblia, algo que antes era considerado um poder exclusivo dos homens.

Além de ser reverenciada desde antes de morrer e cultuada como santa antes de ser canonizada em 2012, Hildegard também é Doutora da Igreja, título dado a alguns santos devido à sua erudição.

Como Hildegard de Bingen fez tudo isso?

Foto: Wikimedia Commons

Quando seu mentor morreu, Hildegard de Bingen assumiu o seu lugar como abadessa no pequeno convento anexo ao mosteiro de Disibodenberg. O que era um segredo foi compartilhado por instrução divina: desde os 3 anos ela teve visões. No entanto, de acordo com ela, já na fase adulta, Deus lhe ordenou que transcrevesse o que lhe mostrou.

No início, ela se recusou a fazê-lo “não com teimosia, mas no exercício da humildade, até que, atingida pelo flagelo de Deus, caí em um leito de doença”.

Devido ao castigo divino por não obedecer, ela afirma que escreveu os mistérios secretos de Deus que ouviu e recebeu nos lugares celestiais. “E novamente ouvi uma voz do céu me dizendo: ‘Fala, então, dessas maravilhas, e escreve-as e dize-as como te foram ensinadas'”.

Hildegard afirmava que não foi ela, mas sim um desígnio do Senhor que a levou a comunicar as revelações de seus episódios místicos que ela descreveu como “o fluxo abissal dos mistérios de Deus”.

As ações de Hildegard de Bingen

Foto: Maurício Planel/ Mundo Estranho/ Superinteressante

Quando Hildegard de Bingen estava escrevendo sua primeira obra, “Scivias”, o Papa Eugênio III descobriu e ordenou uma investigação. No entanto, foi julgado que as visões da mulher eram fruto do Espírito Santo. Por isso, ela pôde expressar o que estava em sua mente.

Pontífices e imperadores europeus buscavam Hildegard para receberem conselhos espirituais e até de previsões do futuro. Em suas quase 400 cartas sobreviventes, os pedidos variam de doentes atrás de cura e reis solicitando orientações políticas.

Com o tempo, ela escreveu tratados científicos em que transmitia o que havia aprendido através de sua observação da natureza, sem ser acusada de bruxaria e censurada. Em um deles, “Causa e cura “, ela abordou a questão da sexualidade, sem julgamentos morais. Na obra, Hildegard falou sobre a experiência masculina e feminina.

Prazer sexual

Foto: Wikimedia Commons

Mesmo que exaltasse a castidade, Hildegard de Bingen não difamou o casamento e a procriação. 

Em um dos trechos, Hildegard afirma que o que aconteceu no Jardim do Éden foi culpa de Satanás, não de Eva. Com ciúmes por ela ter o poder de dar vida, ele teria envenenado o fruto da tentação, e tão humana quanto Adão, não conseguiu resistir.

Além disso, a santa apontava que o sangue que realmente manchou não foi o da menstruação, mas o que foi derramado nas guerras. Ela também apontou que o sexo não era fruto do pecado, e o prazer sexual era uma questão de dois. 

No trecho seguinte, Hildegard de Bingen descreve o prazer feminino: “Quando a mulher se une ao homem, o calor de seu cérebro, que tem prazer em si mesmo, faz com que ele saboreie o prazer da união e ejacule seu sêmen”.

“E quando o sêmen caiu em seu lugar, aquele calor muito forte do cérebro o atrai e o retém consigo, e imediatamente os rins da mulher se contraem, e todos os membros que durante a menstruação estão prestes a abrir se fecham, na mesma maneira como um homem forte segura algo em sua mão.”

Transgressiva por natureza, a freira chegou a ser crítica por permitir que suas “virgens” celebrassem as festas deixando os cabelos soltos e enfeitados e vestindo roupas de seda branca. Após isso, ela escreveu: “Ó mulher, que ser esplêndido você é! Porque você lançou seu fundamento no Sol e conquistou o mundo”.

Esses escritos ficaram perdidos por muito tempo até serem encontrados no século XX. Após isso, suas obras ressoaram novamente entre os acadêmicos, artistas, e outros profissionais.

Fonte: BBC

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