
Quando pensamos em destinos naturais e belos, vemos que o Brasil é referência, como por exemplo Fernando de Noronha. Esse arquipélago, pertence ao estado de Pernambuco, com certeza é uma das rotas turísticas, nacionais, mais sonhadas. O lugar é reconhecido internacionalmente como um verdadeiro paraíso na Terra. Contudo, isso não quer dizer que ele não tenha problemas, tanto que mergulhadores capturaram 140 peixes predadores.
A operação foi feita no final de dezembro passado e teve como resultado a captura inédita de 140 peixes-leão. Quem fez essa operação foi o Centro de Mergulho Sea Paradise, junto com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio-Noronha), e resultou na maior captura que o arquipélago já registrou.
De acordo com Fernando Rodrigues, mergulhador e diretor da Sea Paradise, os mergulhos aconteceram em quatro pontos. Foram eles: três no Parque NacionalMarinho e um na Área de Proteção Ambiental (APA). Observou, ainda,, que esse foi o último monitoramento feito em 2024 e o recorde de captura de peixes.
“Nosso foco foi explorar pontos já mapeados para verificar a taxa de repovoamento do peixe-leão, identificando a densidade e os tamanhos da espécie. O menor peixe-leão media apenas 10 centímetros, enquanto o maior ultrapassou 45 centímetros. Essa foi a operação com maior número de captura até o momento”, disse ele.

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O mergulhador, também, disse que a iniciativa mostra o compromisso da equipe com a preservação do meio ambiente. “Nós estamos comprometidos com o apoio às pesquisas científicas por acreditar na importância da manutenção do bem-estar do meio ambiente. Atuar no manejo dessa espécie invasora reafirma o nosso compromisso e garante a longevidade das espécies marinhas que são, direta ou indiretamente, ameaçadas pela proliferação do peixe-leão”, ressaltou.
Esse animal é nativo da região indo-pacífica e foi visto pela primeira vez, no nosso país, em 2014. Ele chegou em Fernando de Noronha em 2020 e, desde então, os mergulhadores já capturaram mais de mil indivíduos.
A importância dessa captura de 140 peixes em Fernando de Noronha é grande porque a espécie é predadora voraz, ela consome até 20 peixes em 30 minutos, e isso claramente prejudica o ecossistema. Além disso, os peixe-leão tem uma capacidade de reprodução rápida, colocam até 30 mil ovos por vez.
Segundo Pedro Pereira, coordenador do Projeto Conservação Recifal (PCR), mesmo que essa espécie se concentre nas áreas mais profundas, existe uma tendência dos peixes-leão migrarem para as águas rasas.
“É importante destacar que essas capturas foram feitas em áreas que não têm sido manejadas com frequência e mostra, também, que a população está aumentando devido a falta desse trabalho de captura. Há a necessidade de colaboração, de inclusão de novas operadoras e incentivo à pesquisa para que o manejo continue”, disse ele.
Outro ponto colocado pelo coordenador do PCR é que o peixe-leão seja liberado para consumo. Nesse ponto, o ICMBio-Noronha também concorda. “O Núcleo de Gestão Integrada (NGI) do ICMBio-Noronha também acredita na estratégia de viabilizar o consumo do peixe-leão”, afirmou Lilian Hangae, chefe do NGI-Noronha.
O órgão incentiva que as operadoras de mergulho continuem o manejo. “Sem predadores naturais, o peixe-leão consome os animais marinhos nativos. Uma população crescente pode prejudicar a biodiversidade e a economia do mergulho. Colaborar com o manejo do peixe-leão é contribuir para a sustentabilidade”, pontuou.
Fonte: Revista Oeste
Imagens: Revista Oeste






