História

Como as ruínas de Pompeia foram descobertas?

Pompeia
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O Parque Arqueológico de Pompeia engloba as ruínas do que um dia foi uma cidade do Império Romano. A antiga cidade foi destruída durante uma grande erupção do vulcão Vesúvio no ano 79 d.C., que provocou uma intensa chuva de cinzas. Toda a região de Pompeia se manteve oculta por 1600 anos, até ser reencontrada por acaso em 1748.

A erupção do Vesúvio (localizado na Itália) é até hoje lembrada como uma das maiores catástrofes ambientais da história. Mesmo com a erupção de toda a cidade de Pompeia, as mortes foram a parte mais significante da tragédia. Cerca de 2 mil pessoas foram mortas e mais de 10 mil ficaram desabrigadas.

Cinzas e lama envolveram as construções e objetos, moldando também os corpos das vítimas, o que fez com que fossem encontradas do modo exato como foram atingidas pela erupção. Foram mais de 100 anos de descobertas de esqueletos, sendo que o primeiro foi encontrado em 1777.

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O primeiro achado foi feito por acaso. Trabalhadores que construíam um palácio para o rei Bourbon se depararam com a ossada bem preservada de uma jovem. Logo, mais esqueletos foram sendo localizados. No entanto, foi apenas no ano de 1864 que Giuseppe Fiorelli, diretor das escavações na época, teve a ideia de reconstituir o momento da morte daquelas pessoas.

Fiorelli notou a existência de moldes ocos formados com as cinzas espalhadas sobre os corpos e, com isso, a equipe realizou o trabalho de preenchê-los com gesso. Foi a partir daí que os escavadores recriaram a posição na qual as vítimas morreram e foram, com o tempo, petrificadas. As expressões faciais que as pessoas possuíam no momento em que morreram também foram replicadas, revelando a aflição que sentiram antes de morrer.

Agência France Press

As ruínas de Pompeia

Classificada como Patrimônio Mundial da UNESCO, Pompeia ainda preserva habitações, as casas de banho, o fórum e o teatro da cidade. Mesmo que toda a estrutura da região tenha sido construída há mais de 2 mil anos, ainda é possível observar a corrosão nas ruas, causada pelas rodas das carroças que transitavam por ali.

Mesmo que o Parque Arqueológico seja mantido aberto para as visitas de turistas, os trabalhos de escavação, conversação e restauração são constantes. Gradualmente, novas áreas vão sendo liberadas para acesso do público. Atualmente, já foram escavados cerca de dois terços da cidade.

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Nos depósitos arqueológicos existentes em Pompeia, encontram-se aproximadamente 80 mil achados das escavações da cidade e do seu território. Um fato curioso da região restaurada da antiga Pompeia é que foi plantada uma vinha de uvas no exato local em que existiu uma antes de a região ser varrida pela erupção do Vesúvio.

Mas as curiosidades não param por aí: em dezembro de 2020 foi descoberto uma espécie de quiosque de fast-food bem conservado, em uma área não aberta ao público, cujas escavações tinham sido parcialmente iniciadas em 2019. Neste espaço, constituído por um balcão decorado com cores vivas, ficavam diversos recipientes onde era inserida a comida destinada a ser vendida aos viajantes. Esses locais eram conhecidos como termopólios, já que forneciam refeições e bebidas quentes.

As maiores descobertas da região

No decorrer das escavações, uma vila inteira foi encontrada em bom estado. A vila suburbana de Civita Giuliana, na área a norte de Pompeia, faz parte do subúrbio populoso da antiga cidade. A escavação desta zona, que corresponde a uma área de aproximadamente 700 metros, teve início em 2017.

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Como a vila se encontra muito bem preservada, os escavadores perceberam que ali havia uma grande área destinada ao uso agrícola, com locais para a produção de vinho e azeite. No entanto, Civita Giuliana tem sido alvo de escavações clandestinas nas últimas décadas. Como consequência, foram destruídas parte das paredes e rebocos originais das estruturas, assim como foram furtados diversos itens do patrimônio arqueológico.

Alguns dos saques foram tão elaborados que os responsáveis pelo crime chegaram a cavar vários túneis na área para acessar tesouros que ainda não tinham sido retirados das escavações. Por esse motivo, em 2019 foi assinado um acordo entre o Parque Arqueológico de Pompeia e as autoridades locais, com o objetivo de colocar fim ao saque do patrimônio cultural da região.

Em novembro de 2020, foram descobertos em Civita Giuliana dois corpos de habitantes petrificados exatamente na posição em que morreram, de modo que era possível observar até mesmo as dobras das roupas. Segundo os investigadores, os dois homens morreram provavelmente ao tentar fugir do fluxo piroclástico (que é uma mistura de gás quente com matéria vulcânica) resultante da erupção vulcânica do Vesúvio, que inundou a residência onde se encontravam.

El País

Já em fevereiro de 2021, mais um achado quase intacto foi anunciado: uma carruagem cerimonial com quatro rodas foi descoberta a seis metros de profundidade. As decorações da carruagem foram forjadas em bronze e estanho em ambos os lados. Além disso, o que mais se destaca na carruagem são as diversas decorações com figuras masculinas (sátiros) e femininas (ninfas) em relevo, representando cenas eróticas.

Segundo os especialistas, esse tipo de veículo não era utilizado para o uso diário ou para o transporte agrícola. A carruagem seria usada apenas pelas elites, em contextos cerimoniais como festas, casamentos, desfiles e procissões da comunidade. São grandes as chances de que, no momento da erupção do vulcão, o veículo estivesse pronto para ser usado em alguma festividade, já que nele haviam marcas de materiais orgânicos, como cordas e decoração floral.

Fontes: Aventuras na História e National Geographic

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