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Golfinhos provam xixi um do outro para identificar amigos

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Os golfinhos são um dos poucos animais não humanos que são conhecidos por suas capacidades cerebrais. Existem vários mistérios que cercam esse animal, principalmente por terem desenvolvido grandes habilidades cognitivas, como por exemplo, uma relacionada ao xixi.

Segundo um novo estudo, os golfinhos comuns usam amostras de xixi para separarem amigos de estranhos. Os pesquisadores da Universidade de St. Andrews, na Escócia, chegaram a essa conclusão depois de terem observado os animais nadando em nuvens de urina.

Durante a observação, os resíduos de urina de golfinhos que eram familiares pareciam receber mais atenção do que a urina deixada pelos estranhos. Combinando essa curiosidade sobre o xixi com as comunicações que já são conhecidas dos golfinhos, como os assobios, tudo indica que eles podem reconhecer seus amigos pelo conteúdo da sua bexiga.

Xixi

Canaltech

Os golfinhos observados vivem nas instalações de interação nas Bermudas e no Havaí, onde os animais vivem em lagoas de água do mar. Para analisar se os golfinhos em cativeiro reagiriam de forma diferente, os pesquisadores usaram amostras de urina de animais conhecidos, além da urina de outros golfinhos.

Como resultado, observou-se que a urina de amigos interessou três vezes mais os golfinhos do que a de desconhecidos. Além disso, eles também se interessaram mais pela urina quando ela foi combinada com gravações de assobios familiares.

Isso mostra que explorar o xixi ajuda os golfinhos a reconhecerem quem são seus amigos e quais animais não são. Entretanto, ainda não está claro para os pesquisadores o que os animais estão detectando na urina. O que se sabe é que não é o cheiro, porque golfinhos têm poucas habilidades olfativas. Por conta disso, mais estudos são necessários.

Golfinhos

NY Times

Além desse comportamento com o xixi, os golfinhos têm outras habilidades que impressionam. Uma delas é bem parecida com uma forma que nós comemos.

Sabe quando o pacote de salgadinhos já está no fim e aí você levanta a embalagem e vira para sacudir o resto para a sua boca? Os golfinhos fazem exatamente isso com os peixes que estão dentro de conchas.

Esse truque é raro de ser documentado. Mas ele foi observado em Shark Bay, na Austrália. Nessa região, os golfinhos usam esse truque para conseguir comida. Eles perseguem os peixes até que eles entrem nas conchas vazias e então pegam as conchas, a levam para a superfície e com seus bicos as levantam e empurram a presa para a sua boca.

Esse truque é chamado, em inglês, de “shelling” ou “conching”, que quer dizer algo como “sair da casca”. Os cientistas veem que esse hábito é bem interessante, principalmente pela maneira como os golfinhos o aprenderam, observando e imitando uns aos outros.

As habilidades dos golfinhos, em sua maioria, são aprendidas com o ensinamento de suas mães. Mas o conching foi aprendido por eles através da imitação dos movimentos de “amigos”, que são animais não relacionados biologicamente.

Essa descoberta foi feita por uma equipe de pesquisadores internacional. Ela é mais uma evidência da inteligência dos golfinhos e da capacidade de aprendizado que eles têm, tanto dentro como fora das suas famílias nucleares. Capacidade essa que, geralmente, é associada a primatas avançados, como os orangotangos, chimpanzés e seres humanos.

Um fator interessante era que, todos os golfinhos que praticavam o conching tinham uma coisa em comum: o convívio social. De acordo com uma análise computacional, os animais, por mais que não fossem diretamente relacionados, pertenciam a vários dos mesmos grupos e redes sociais.

“Quanto mais tempo dois indivíduos passam juntos, maior a probabilidade de copiar o comportamento um do outro”, explicou Sonja Wild, ecologista comportamental do Instituto Max Planck e uma das autoras do novo estudo.

Talvez, o conching tenha se tornado uma forma dos golfinhos encontrarem mais comida. Mas infelizmente muito pouco é sabido sobre esse comportamento. De qualquer forma, essas observações mostram como os golfinhos estão próximos do reinado de habilidades primatas.

Fonte: Mental floss, NY Times

Imagens: Canaltech, NY Times

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