
Nós cultuamos super-heróis na literatura, televisão e filmes de grande sucesso. Apreciamos a ideia de um salvador protegendo os inocentes. Só que às vezes esquecemos que existem heróis e heroínas entre nós. Eles vão além do dever, muitas vezes arriscando suas próprias vidas para ajudar os outros. Por isso devem ser admirados e reconhecidos assim como qualquer outro personagem fictício. A moçambicana Plaxedes Dilon, 71 anos, conhecida na comunidade como Gogo Magombo, é uma das heroínas da vida real. Ela caminhou 16 quilômetros para ajudar vítimas de ciclone que atingiu Moçambique, com doações de roupas e utensílios de cozinha.
Os moçambicanos ainda estão digerindo o desastre avassalador, descrito pelas Nações Unidas como provavelmente o pior relacionado ao clima que atingiu o hemisfério sul. Em vez da ajuda internacional, anjos conterrâneos contribuíram imediatamente com cobertores, comida, roupas e apoio psicológico. Gogo Magombo foi um desses seres celestiais. Ou, no caso, uma heroína de carne e osso.
Seu dia normalmente começa às 4 da manhã, pois ela tem que chegar ao mercado a tempo de vender seus produtos para os fornecedores de vegetais. Voltando de mais uma cansativa jornada de trabalho, Gogo Magombo ouviu no rádio a notícia de um grande desastre causado por um ciclone chamado “Idai”.
Idai é um dos piores desastres relacionados ao clima já registrados no hemisfério sul. O ciclone atingiu o sudeste da África no mês passado, deixando várias vítimas em Moçambique, Zimbábue e Malauí. Ao todo, mais de 350 pessoas morreram na região. O desastre também deixou cerca de 2,5 milhões de pessoas sem água potável, moradias, saneamento e outros serviços básicos.
É necessário reafirmar que ainda há centenas de desaparecidos. Segundo a Oxfam Brasil, a catástrofe fez os preços dos alimentos dispararem. Em Beira, cidade de Moçambique, 90% do território está debaixo d´água. No Zimbábue, a maior parte das cidades só está acessível por meio de helicópteros.
“Eu imediatamente juntei minhas roupas e jaquetas que comprei para revender e as levei para a sede da rádio no dia seguinte, para doá-las”, disse Gogo Magombo ao portal ZimLive. A senhora heroína, sem pensar duas vezes, caminhou 16 quilômetros para ajudar vítimas de ciclone. Ela doou roupas e utensílios de cozinha para as pessoas que enfrentaram a tragédia do dia 14 de março no sul da África.
Sem intenção de retorno, Magombo felizmente foi reconhecida. Seu incrível gesto de compaixão sensibilizou um dos homens mais ricos da África, que garantiu-lhe uma casa nova e uma pensão vitalícia. O magnata das telecomunicações, Strive Masiyiwa, soube do ato de generosidade nas mídias sociais e anunciou que vai construir uma residência para ela.
“Esta é a ‘viúva’ bíblica'”, escreveu Masiyiwa no Facebook. “O que ela fez foi um dos mais notáveis atos de compaixão que eu já vi. Quando isso acabar, eu vou encontrá-la e convidá-la para me ver, se possível. Então eu vou gastar tempo em oração. Depois, construirei uma casa para ela, onde ela quiser, no Zimbábue. Terá energia solar e água corrente. Depois, darei a ela uma pensão mensal e vitalícia de US$ 1.000”.






