Em teoria, a função do jornalista é levar informação de forma limpa e imparcial às pessoas, podendo dar opinião em alguns gêneros jornalísticos. E em sua essência, ele deve ser sempre sério, podendo cometer o mínimo possível de erros para nunca comprometer a qualidade da notícia apresentada.

Os jornalistas investigativos, por exemplo, estão sempre procurando coisas obscuras ou tentando achar algum assunto para colocar à luz na sociedade que, normalmente, as pessoas não estão dando a devida importância. E em uma época em que a repressão contra as mulheres era grande, a jornalista Nellie Bly conseguiu fazer a exposição do mundo obscuro das instituições mentais nos EUA.

Com esse trabalho, ela se tornou um ícone do jornalismo investigativo. Elizabeth Cochran Nellie Bly Seaman nasceu em cinco de maio de 1864. Além de jornalista, ela era escritora, inventora e filantropa. Ela começou um novo tipo de jornalismo investigativo, aquele que é feito na base da infiltração.

Ela teve uma infância privilegiada. Seu pai era juiz, teve dois casamentos e um total de 15 filhos. E como a mãe de Nellie era a segunda esposa, seu pai não reconheceu essa parte da família, o que depois da morte do patriarca, a fez passar por uma situação difícil.

Ela começou estudar aos 15 anos para ser professora, mas teve que parar quando seu dinheiro acabou. Mas a vida ainda tinha várias surpresas para ela. Quando ela mandou uma carta para o editor do Pittsburgh Dispatch respondendo um artigo que criticava a ideia de mulheres trabalhando, ele ficou tão impressionado que ofereceu a ela um emprego como repórter.

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Quando ela começou a escrever, adotou o pseudônimo de Nellie Bly. Seus primeiros trabalhos foram focados no sofrimento das mulheres trabalhadoras. Mas os editores a trocaram para as páginas femininas.

Trabalho

Nellie no entanto estava insatisfeita e viajou para o México para se tornar correspondente. E ela escrevia o que pensava sem pudores. Até mesmo questionou a prisão de um jornalista local por ter criticado o governo mexicano. E quando o governo ficou sabendo, ameaçou prendê-la. Então ela deixou o país.

A jornalista viu que o veículo em que ela tinha começado sua carreira, não a deixaria crescer. Então ela se mudou para Nova York e começou a trabalhar na editora New York World. E foi lá que ela foi encarregada de investigar Blackwell Island, uma instituição para mulheres que eram diagnosticadas como loucas.

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E com 23 anos, em 1887, Nellie concordou em fingir ser mentalmente instável para ser internada na clínica e fazer sua investigação. Para ir para a instituição, ela ficou em uma pensão, que era a casa de uma família, e logo convenceu as pessoas de que era louca. Depois, forjou uma amnésia e quando foi colocada diante de um tribunal, ela falou que as pessoas a tinham dopado.

Artigo

Depois de tudo isso, ela finalmente conseguiu se infiltrar em Blackwell. E quando estava internada, ela viu as condições terríveis que as mulheres passavam e as sentiu na pele. Algumas das coisas eram banhos de gelo, comidas frias e não comestíveis. Abuso psicológico, agressão e condições insalubres.

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Nellie também descobriu que as pacientes eram terrivelmente tratadas e que não tinham a possibilidade de melhorar. Elas passavam os dias sentadas das seis da manhã às oito da noite, colocadas em bancos desconfortáveis.

Não foi preciso muito tempo para ela perceber que o lugar era totalmente inadequado. E mesmo depois que ela revelou a sua sanidade, a clínica ainda a manteve lá. Ela ficou em Blackwell por dez dias até que o jornal mandou um advogado para liberá-la.

Depois de libertar a repórter, a mesma publicou um artigo chamado Dez dias em um manicômio. E na opinião dela, qualquer pessoa em sã consciência que ficasse ali por mais de dois meses se tornaria perturbada para sempre.

O artigo de Nellie causou tanta repercussão que ela foi chamada para testemunhar em frente a um júri sobre suas experiências vividas. Depois disso, os funcionários que tratavam indevidamente os pacientes foram demitidos e a alimentação e saneamento em Blackwell foram aprimoradas.

Publicado em: 24/04/19 18h20